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Histórico: Brasil supera os EUA e conquista liderança mundial na produção de carne bovina pela primeira vez

Em 2025, Brasil deve produzir 12,35 milhões de toneladas de carne bovina, superando os EUA pela primeira vez na história  |  Agência Brasil/Arquivo

Publicado em 26/12/2025, às 20h09   Agência Brasil/Arquivo   Jussier Lucas

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O Brasil alcançou em 2025 um feito inédito, pela primeira vez desde o início da série histórica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 1960, o país deve ultrapassar os Estados Unidos como maior produtor mundial de carne bovina.

Segundo projeções recentes do USDA, a produção brasileira atingirá 12,35 milhões de toneladas equivalentes de carcaça, superando os 11,81 milhões estimados para os americanos — cerca de 4,5% a mais. A China ocupa o terceiro lugar, com 7,79 milhões de toneladas produzidas.

Fim de uma hegemonia histórica

Os Estados Unidos lideravam o ranking mundial desde 1960, mantendo uma vantagem expressiva sobre o Brasil nas últimas décadas. Em 2021, por exemplo, a produção americana era 30% superior à brasileira.

O cenário de 2025 reflete mudanças estruturais: enquanto a produção nacional cresceu 4,2% em relação a 2024, a oferta americana caiu 3,9%. Com isso, o Brasil passa a representar quase 20% da produção global de carne bovina, consolidando sua liderança no setor.

Especialistas atribuem o avanço à expansão do rebanho brasileiro — estimado em cerca de 186,9 milhões de cabeças —, maior disponibilidade de animais para abate e forte demanda externa. Nos EUA, o rebanho está no menor nível desde 1952, impactado por custos elevados de ração e energia, além de condições climáticas adversas.

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Exportações seguem em alta mesmo diante de tarifas

Mesmo diante de tarifas impostas pelos EUA por quase quatro meses, o Brasil mantém recorde nas exportações. Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram aumento de 18,9% nos embarques até novembro, com previsão de 4,25 milhões de toneladas exportadas em 2025 — crescimento de 16,8% em relação a 2024.

A Austrália aparece como segunda maior exportadora, seguida da Índia, considerando carne de búfalo.

O desempenho demonstra a competitividade brasileira, mesmo diante de barreiras protecionistas, incluindo tarifas de até 50% sobre a carne nacional.

Projeções e desafios para 2026

Apesar da liderança inédita, o USDA projeta que em 2026 a produção brasileira e americana deve ficar praticamente empatada, em torno de 11,7 milhões de toneladas, dependendo de fatores climáticos e da recuperação do rebanho nos EUA.

Internamente, o setor brasileiro enfrenta desafios logísticos e pressões por práticas sustentáveis, exigindo investimentos em tecnologia e gestão. Para os EUA, a redução da produção pode aumentar a dependência de importações, inclusive do Brasil, influenciando preços e estrutura de mercado.

Em resumo, 2025 marca uma virada histórica na pecuária mundial. O Brasil consolida sua posição de gigante do agronegócio, com forte presença global e relevância estratégica na segurança alimentar, mesmo em um cenário desafiador de custos, clima e comércio internacional.

Classificação Indicativa: Livre


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