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Publicado em 08/10/2025, às 13h15 Antônio Cruz/Agência Brasil Giovana Gurgel
A crise da Americanas, considerada o maior escândalo corporativo da história do Brasil, ganhou mais um capítulo com a delação do ex-diretor estatutário Márcio Cruz Meirelles, que firmou acordo com o Ministério Público Federal (MPF).
As informações prestadas por Meirelles serão incorporadas à denúncia apresentada em março deste ano, que já envolve 12 ex-executivos e ex-funcionários da varejista.
De acordo com o MPF, o grupo teria participado de fraudes contábeis estimadas em R$ 22,8 bilhões, valor que ajudou a arruinar a imagem da companhia desde janeiro de 2023. As declarações de Meirelles, segundo o órgão, complementam e fortalecem as investigações.
A delação foi dividida em quatro anexos, abordando seu patrimônio, trajetória na empresa, pressões internas por resultados e o momento em que teve contato com o esquema.
Até o momento, três delações já haviam sido firmadas no caso, pelos ex-executivos Marcelo Nunes, Flávia Carneiro e Fabio Abrate, todos ligados à antiga cúpula da empresa.
O caso veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas revelou “inconsistências contábeis” em seus balanços, inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões.
O anúncio marcou o início do colapso de uma das redes mais tradicionais do país. Dois anos depois, a varejista ainda luta para se recuperar financeiramente.
Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove deles também foram acusados de uso de informação privilegiada.
Entre os denunciados estão Miguel Gutierrez (ex-CEO), Anna Saicali (ex-CEO da B2W) e os ex-vice-presidentes Thimoteo Barros e Marcio Cruz. Outros nove diretores e gestores também aparecem na lista.
Já os acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira não foram denunciados.
Apesar do rombo bilionário, a Americanas apresentou sinais de melhora. No segundo trimestre de 2025, registrou prejuízo líquido de R$ 98 milhões, uma redução de 94,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Ebitda ajustado subiu 1.216%, alcançando R$ 329 milhões, enquanto a receita líquida chegou a R$ 3,84 bilhões, crescimento de 24,7% em um ano.
Mesmo com o avanço nos números, o caso segue como um marco negativo na história do mercado financeiro brasileiro, ainda cercado de delações, denúncias e tentativas de reconstrução.
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