☰
✕

Negócios

Estatais acumulam rombo bilionário em janeiro enquanto setor público fecha mês com saldo positivo

Relatório do Banco Central revela que estatais federais e estaduais são responsáveis pela maior parte do déficit em janeiro de 2026  |  Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Publicado em 27/02/2026, às 13h20   Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil   Giovana Gurgel

As empresas estatais iniciaram 2026 com déficit de R$ 4,869 bilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Banco Central do Brasil no relatório Estatísticas Fiscais. O resultado negativo foi o único entre os componentes do setor público no primeiro mês do ano.

Do total registrado, R$ 3,33 bilhões correspondem às estatais federais. As empresas estaduais responderam por R$ 1,56 bilhão do rombo, enquanto as municipais tiveram déficit de R$ 17 milhões.

O levantamento das companhias federais não inclui empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras.

Superávit no consolidado

Apesar do resultado das estatais, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro. O saldo considera receitas e despesas sem incluir os juros da dívida.

O desempenho ficou levemente abaixo do observado no mesmo mês de 2025, quando o superávit foi de R$ 104,1 bilhões.

No detalhamento, o governo central, formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, apresentou superávit de R$ 87,3 bilhões. Os governos regionais também tiveram resultado positivo, de R$ 21,3 bilhões.

Crise nos Correios pressiona cenário

O déficit das estatais ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelos Correios. No fim de dezembro, a empresa publicou no Diário Oficial da União orçamento prevendo R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, valor R$ 6,3 bilhões inferior ao estimado para 2025.

Diante da situação, o Conselho Monetário Nacional aprovou, na quinta-feira (26), resolução que altera os limites para contratação de crédito por órgãos e entidades públicas em 2026. A medida cria um sublimite de até R$ 8 bilhões, com garantia da União, destinado à estatal.

Ainda em janeiro, os Correios aprovaram a contratação de empréstimo de R$ 20 bilhões. A empresa também colocou em prática um plano de reestruturação que inclui demissões e leilões de imóveis para reforçar o caixa. A dívida bruta do país permaneceu em 78,7% do Produto Interno Bruto, mesmo percentual registrado no mês anterior.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSuperávitRelatórioSetor públicoBanco centralEmpresasDéficitDívidaPrevidência socialEstataisReestruturaçãoTesouro nacionalProduto interno brutoConselho monetário nacional