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Negócios

Em ano eleitoral, RN fica entre os estados com maior avanço de gastos no Brasil

Impulsionado por ano eleitoral, RN registra maior crescimento de investimentos do país, mas despesas sobem 17,7% contra arrecadação de apenas 5,3%  |  Foto: Sandro Menezes

Publicado em 11/06/2026, às 07h06   Foto: Sandro Menezes   Malu Machado

O Rio Grande do Norte chega ao final do primeiro semestre de 2026 vivendo duas realidades completamente opostas na sua economia. De um lado, o estado lidera o crescimento proporcional de investimentos públicos no Brasil.

De outro, enfrenta um sufoco financeiro histórico: um caixa negativo estimado em R$ 3 bilhões, despesas subindo muito acima das receitas e um bloqueio recente de quase R$ 500 milhões no orçamento.

Esse cenário colocou o RN no topo da lista das maiores preocupações de especialistas em finanças públicas do país em 2026. Em um levantamento feito pela XP Investimentos, o caso potiguar é apontado como um dos mais delicados do Brasil, levantando um alerta incômodo nos bastidores da política: quem vai pagar essa conta a partir de 2027?

Investimento recorde impulsionado por dívidas

Dados do Tesouro Nacional reunidos pelo jornal Valor Econômico revelam que os investimentos liquidados pelo governo do RN cresceram impressionantes 575,5% nos quatro primeiros meses de 2026, o maior avanço proporcional do país.

No entanto, analistas alertam que esse "boom" de obras e projetos em ano eleitoral tem uma armadilha: ele está atrelado a empréstimos e operações de crédito contratadas nos últimos anos. Embora os financiamentos acelerem a infraestrutura agora, eles geram compromissos financeiros pesados que vão sangrar os cofres públicos nos próximos anos.

A conta não fecha

A principal fragilidade do Rio Grande do Norte hoje não é o tamanho total da sua dívida, mas sim a chamada liquidez. Ou seja, a falta de dinheiro vivo em caixa para pagar as contas do dia a dia.

Segundo a XP, o RN é o segundo estado do Brasil onde os gastos crescem em velocidade mais desproporcional à arrecadação, ficando atrás apenas do Maranhão:

Essa diferença empurrou o RN para um grupo indigesto: o das cinco únicas unidades da federação que já operam com resultado fiscal negativo em 2026 (ao lado de Tocantins, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul).

Fonte: XP Investimentos - Melhorada com IA

Para tentar frear o abismo, o governo estadual publicou um decreto cortando R$ 497 milhões em despesas após a frustração de receitas no segundo bimestre.

"A combinação entre baixa disponibilidade de caixa e aumento acelerado das despesas torna o caso potiguar um dos mais preocupantes do país", cita o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos.

O relatório projeta que, juntos, os estados brasileiros devem fechar 2026 com um déficit agregado de R$ 6 bilhões, uma virada dramática em relação ao superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025.

Com o calendário correndo, o Rio Grande do Norte atravessa um de seus momentos fiscais mais desafiadores justamente no período que antecede a troca de comando do Poder Executivo estadual, marcada para janeiro de 2027.

Classificação Indicativa: Livre


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