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Publicado em 11/06/2026, às 07h06 Foto: Sandro Menezes Malu Machado
O Rio Grande do Norte chega ao final do primeiro semestre de 2026 vivendo duas realidades completamente opostas na sua economia. De um lado, o estado lidera o crescimento proporcional de investimentos públicos no Brasil.
De outro, enfrenta um sufoco financeiro histórico: um caixa negativo estimado em R$ 3 bilhões, despesas subindo muito acima das receitas e um bloqueio recente de quase R$ 500 milhões no orçamento.
Esse cenário colocou o RN no topo da lista das maiores preocupações de especialistas em finanças públicas do país em 2026. Em um levantamento feito pela XP Investimentos, o caso potiguar é apontado como um dos mais delicados do Brasil, levantando um alerta incômodo nos bastidores da política: quem vai pagar essa conta a partir de 2027?
Dados do Tesouro Nacional reunidos pelo jornal Valor Econômico revelam que os investimentos liquidados pelo governo do RN cresceram impressionantes 575,5% nos quatro primeiros meses de 2026, o maior avanço proporcional do país.
No entanto, analistas alertam que esse "boom" de obras e projetos em ano eleitoral tem uma armadilha: ele está atrelado a empréstimos e operações de crédito contratadas nos últimos anos. Embora os financiamentos acelerem a infraestrutura agora, eles geram compromissos financeiros pesados que vão sangrar os cofres públicos nos próximos anos.
A principal fragilidade do Rio Grande do Norte hoje não é o tamanho total da sua dívida, mas sim a chamada liquidez. Ou seja, a falta de dinheiro vivo em caixa para pagar as contas do dia a dia.
Segundo a XP, o RN é o segundo estado do Brasil onde os gastos crescem em velocidade mais desproporcional à arrecadação, ficando atrás apenas do Maranhão:
Essa diferença empurrou o RN para um grupo indigesto: o das cinco únicas unidades da federação que já operam com resultado fiscal negativo em 2026 (ao lado de Tocantins, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul).
Para tentar frear o abismo, o governo estadual publicou um decreto cortando R$ 497 milhões em despesas após a frustração de receitas no segundo bimestre.
"A combinação entre baixa disponibilidade de caixa e aumento acelerado das despesas torna o caso potiguar um dos mais preocupantes do país", cita o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos.
O relatório projeta que, juntos, os estados brasileiros devem fechar 2026 com um déficit agregado de R$ 6 bilhões, uma virada dramática em relação ao superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025.
Com o calendário correndo, o Rio Grande do Norte atravessa um de seus momentos fiscais mais desafiadores justamente no período que antecede a troca de comando do Poder Executivo estadual, marcada para janeiro de 2027.