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Negócios

Casas Bahia pode cortar até 30% da equipe e fechar lojas em meio a crise financeira

Somente no primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do resultado negativo de 2025  |  Montagem: Reprodução/Internet

Publicado em 14/08/2026, às 13h58   Montagem: Reprodução/Internet   José Nilton Jr.

A rede varejista Casas Bahia se prepara para uma nova etapa de redução de sua estrutura, que pode atingir até 30% do quadro de funcionários e envolver o fechamento de lojas. A medida ocorre em meio ao processo de reestruturação financeira e operacional enfrentado pela companhia nos últimos anos.

A divulgação dos resultados do segundo trimestre, inicialmente prevista para quarta-feira (12), foi adiada para esta sexta-feira (14). A empresa também programou uma teleconferência com investidores para segunda-feira (17). De acordo com informações do Valor Econômico, a mudança no calendário teria permitido à companhia concluir os detalhes do novo plano de reorganização.

Fornecedores já teriam sido informados sobre a movimentação e acompanham os possíveis impactos da redução da estrutura sobre as operações. Também há relatos de demissões ocorridas nos últimos dias.

Rede física encolhe enquanto prejuízos aumentam

A nova rodada de ajustes ocorre depois de anos de redução da rede física. Nos 12 meses encerrados em março, considerando aberturas e fechamentos, a companhia reduziu em 26 o número de lojas, sendo 12 unidades da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.

No fim do ano passado, o grupo possuía 1.042 unidades, contra 1.064 em 2024 e 1.078 ao final de 2023. A redução da estrutura ocorre paralelamente às dificuldades financeiras enfrentadas pela varejista.

Somente no primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do resultado negativo contabilizado no mesmo período de 2025. No ano passado, o prejuízo líquido consolidado, sem ajustes, chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões.

Reestruturação tenta conter endividamento

O processo de reorganização da companhia, segundo a reportagem do Valor Econômico, teve início em 2023 e ganhou força em 2024, quando a empresa recorreu à recuperação extrajudicial para alongar dívidas e reduzir despesas financeiras. A operação envolveu a renegociação de aproximadamente R$ 4 bilhões em obrigações.

No ano seguinte, a Casas Bahia realizou a conversão antecipada de R$ 1,56 bilhão em títulos da segunda série e o reperfilamento de R$ 1,67 bilhão da primeira série. As medidas tiveram como objetivo reduzir a alavancagem e aliviar a pressão provocada pelos gastos financeiros. A conversão de títulos também alterou a composição acionária da empresa, com a Mapa Capital passando a deter 85,5% da companhia.

No primeiro trimestre deste ano, a varejista conseguiu reduzir a dívida líquida, principalmente em razão da conversão de obrigações de credores em participação societária. Mesmo com a diminuição do endividamento, porém, as despesas financeiras continuaram pressionando os resultados.

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