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Negócios

Casa 7 Evas: a vinícola que quer transformar o interior do RN em destino de enoturismo

Palantsky revela, em entrevista exclusiva ao BNews RN, os bastidores de um projeto de R$ 50 milhões que aposta no clima potiguar para produzir vinhos  |  Foto: divulgação

Publicado em 23/08/2026, às 15h15 - Atualizado em 24/08/2026, às 11h19   Foto: divulgação   Dani Oliveira

Há oito anos, quando o empresário paranaense Evanildo Palantsky decidiu apostar no Rio Grande do Norte para implantar uma vinícola, a ideia poderia parecer, à primeira vista, uma aposta improvável.

Afinal, quando se fala em produção de vinhos no Brasil, é comum pensar nas baixas temperaturas da Serra Gaúcha ou nos grandes polos vitivinícolas do Nordeste, especialmente no Vale do São Francisco.

Palantsky enxergou, porém, uma oportunidade justamente onde poucos haviam procurado. O clima quente, a elevada luminosidade e a possibilidade de realizar mais de uma produção por ano transformaram o Rio Grande do Norte, na avaliação do empresário, em um território com características capazes de favorecer a produção de uvas destinadas à elaboração de vinhos.

O resultado dessa aposta é a Vinícola Casa 7 Evas, instalada em São José de Mipibu, na Grande Natal. O empreendimento chega a 2026 em uma nova etapa: depois de anos de experimentação, adaptação de variedades, implantação dos parreirais e estruturação da indústria, a previsão é iniciar oficialmente a produção comercial de vinhos em novembro.

E o projeto vai muito além das garrafas

A Casa 7 Evas está sendo concebida como um complexo de enoturismo, gastronomia, eventos e, futuramente, hospedagem.

A primeira fase do empreendimento, segundo Palantsky, representa um investimento de R$ 25 milhões. Outras duas etapas deverão consumir mais R$ 25 milhões, levando o projeto completo a R$ 50 milhões.

“Temos aqui seguramente um eldorado pouco explorado para cultivo da fruticultura, entre elas a uva, que começa agora aos poucos a dar os primeiros passos.”

A declaração resume a visão do empresário para uma atividade que ainda é pequena no Estado, mas que pode ganhar uma dimensão inédita com a chegada da Casa 7 Evas.

Uma aposta que começou há oito anos

A história da Casa 7 Evas começou muito antes de a primeira garrafa comercial chegar ao mercado.

O projeto teve início há oito anos e passou por um longo período de experimentação. Durante aproximadamente seis anos, o empresário testou diferentes variedades de uvas e avaliou a resposta das plantas às condições específicas de solo e clima encontradas no Rio Grande do Norte.

A escolha da variedade adequada não foi simples. Segundo Palantsky, foram anos de “planta e arranca” até chegar às variedades consideradas mais apropriadas para a região.

O processo envolveu observar o desenvolvimento das videiras, a adaptação ao solo, o comportamento diante das condições climáticas e, posteriormente, a qualidade das uvas obtidas.

A dificuldade era agravada pela ausência de tradição desse tipo de cultivo no Estado.

“Foram pelo menos seis anos de planta e arranca até chegar nas escolhas ideais para a região.”

A experiência também exigiu a formação de mão de obra. Como a produção de uvas destinadas à fabricação de vinho ainda não possui tradição consolidada no Rio Grande do Norte, trabalhadores e produtores precisaram aprender na prática uma série de procedimentos específicos.

“Tudo era novidade no início”, explica o empresário.

O período de testes, no entanto, trouxe resultados que convenceram Palantsky de que a aposta poderia avançar para uma escala comercial.

O clima que pode ser uma vantagem

Um dos principais argumentos utilizados pelo empresário para defender a produção de uvas no Rio Grande do Norte está justamente em uma característica que, durante muito tempo, poderia ser considerada uma desvantagem: o calor.

A vitivinicultura tradicional costuma ser associada a regiões de clima mais frio. No caso potiguar, entretanto, a elevada incidência solar e a luminosidade durante boa parte do ano podem favorecer o desenvolvimento das videiras.

Palantsky destaca ainda uma diferença importante em relação às regiões produtoras do Sul do Brasil.

No Rio Grande do Norte, de acordo com o empresário, é possível trabalhar com duas produções anuais, enquanto as condições climáticas permitem que a primeira produção aconteça em aproximadamente 14 meses.

No Sul, a primeira colheita pode ocorrer somente depois de cerca de 40 meses.

“Ao contrário do que se imagina, climas como temos no Rio Grande do Norte são excelentes para produção de uvas.”

É essa combinação de luminosidade, insolação, temperatura e possibilidade de ciclos produtivos mais rápidos que leva o empresário a fazer uma comparação ambiciosa.

Para Palantsky, o Rio Grande do Norte pode se transformar, nos próximos anos, em um novo polo relevante de produção de uvas, com potencial semelhante ao observado no Vale do São Francisco.

“No meu entender, vai ter protagonismo similar ao Vale do São Francisco em poucos anos, pelas condições que aqui temos.”

A afirmação representa uma das apostas mais ousadas do projeto: transformar uma cultura ainda pouco tradicional no Estado em uma atividade capaz de gerar produção, negócios e turismo.

A área onde funciona a vinícola, em São José de Mipibu, possui 20 hectares, dos quais seis são destinados atualmente ao plantio de uvas. Foto: reprodução

De 20 para 80 hectares: o projeto ganha escala

Atualmente, a Casa 7 Evas está estruturada em dois projetos distintos.

A área onde funciona a vinícola, em São José de Mipibu, possui 20 hectares, dos quais seis são destinados atualmente ao plantio de uvas.

Mas a expansão já está planejada. Em Upanema, na região Oeste potiguar, a empresa possui uma segunda área de 60 hectares. O início do plantio está previsto para setembro de 2026, inicialmente em 30 hectares.

A produção dessa nova área terá uma finalidade diferente: o cultivo será direcionado principalmente à produção de suco de uva.

A escala projetada impressiona. A vinícola foi inicialmente dimensionada para produzir 200 mil litros de vinho por ano. No segmento de sucos, a capacidade projetada chega a 2 milhões de litros anuais.

Os números mostram que o empreendimento não está sendo planejado apenas como uma experiência experimental ou uma pequena produção artesanal.

Existe uma estratégia de escala industrial associada ao projeto turístico.

De experiência a produção comercial

Em 2023, quando o Sebrae-RN acompanhava a implantação do empreendimento, a Casa 7 Evas ainda estava na fase de estruturação e testes.

Naquele momento, a vinícola já possuía uma área construída de aproximadamente 600 metros quadrados e buscava concluir a instalação de equipamentos e os procedimentos necessários para regularização junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

O Sebrae-RN atuava na elaboração de projetos técnicos industriais, regularização do estabelecimento, projetos de prevenção e combate a incêndio e adequações relacionadas ao abastecimento de água e à irrigação dos parreirais.

Aquele momento era, portanto, o começo de uma trajetória que agora chega a uma nova fase.

Palantsky explica que, embora a empresa já tenha produzido vinhos ao longo dos últimos três anos, tudo foi feito em caráter experimental.

A produção comercial ainda não começou; mas já tem data marcada: novembro de 2026.

“Produção em escala comercial começa, precisamente, agora em novembro de 2026.”

Os testes, segundo o empresário, apresentaram resultados considerados muito positivos. Parte da produção experimental já pode ser conhecida por visitantes que participam das degustações e das visitas guiadas realizadas aos sábados na propriedade.

É uma espécie de prévia da experiência que a Casa 7 Evas pretende ampliar a partir da inauguração oficial.

Malbec, Syrah e a busca pela identidade potiguar

Em 2023, a Casa 7 Evas trabalhava especialmente com as variedades Malbec e Syrah, identificadas naquele momento como as que melhor haviam respondido às condições do solo potiguar.

A escolha das variedades foi justamente um dos pontos que exigiram maior período de testes.

A proposta não é simplesmente reproduzir no Rio Grande do Norte o modelo de outras regiões produtoras. A intenção é entender quais uvas conseguem expressar melhor suas características dentro das condições específicas do território potiguar.

Esse processo pode ser fundamental para construir uma identidade própria para os vinhos produzidos no Estado.

A Casa 7 Evas chega, assim, a uma etapa em que a experiência acumulada ao longo dos últimos anos passa a ser convertida em produção comercial.

Em 2023, a Casa 7 Evas trabalhava especialmente com as variedades Malbec e Syrah, identificadas naquele momento como as que melhor haviam respondido às condições do solo potiguar.

Um investimento de R$ 50 milhões

O empreendimento está dividido em três grandes etapas.

A primeira delas representa um investimento de aproximadamente R$ 25 milhões e envolve a implantação da estrutura principal da vinícola e o início da produção.

Essa etapa deverá ser concluída em novembro, com a inauguração oficial do projeto.

Depois disso, começam as duas fases seguintes. A segunda etapa será dedicada à ampliação da estrutura voltada para gastronomia e eventos.

Na terceira, está prevista a implantação da área de hospedagem. Somadas, essas duas etapas deverão representar outros R$ 25 milhões em investimentos.

“Esse é um projeto que está dividido em três etapas: a primeira, de R$ 25 milhões. Segunda e terceira fases, mais R$ 25 milhões.”

O planejamento mostra que a vinícola foi concebida desde o início como algo maior do que uma indústria de bebidas.

A intenção é criar um destino.

Uma nova experiência turística no RN

É justamente nesse ponto que a escolha de São José de Mipibu ganha importância estratégica.

O Rio Grande do Norte é internacionalmente conhecido pelas praias, pelas dunas e pelo turismo de sol e mar. Palantsky acredita, porém, que o Estado precisa ampliar seu portfólio de experiências para o visitante.

O enoturismo surge como uma dessas possibilidades.

A ideia é permitir que o visitante conheça não apenas o produto final, mas todo o caminho percorrido até chegar à taça: os parreirais, as variedades de uva, o processo de produção e as características da propriedade.

A experiência deverá ser ampliada com gastronomia, eventos e, posteriormente, hospedagem.

“Enxergamos aqui oportunidade do pioneirismo de um segmento que está em pleno crescimento no Brasil: a produção de vinho agregada ao enoturismo.”

A proposta também pode criar uma nova conexão entre produção rural e turismo.

Em vez de apenas comprar uma garrafa, o visitante poderá conhecer a origem do vinho, caminhar pela propriedade, participar de degustações e consumir produtos associados à experiência.

É um modelo já conhecido em outras regiões produtoras do país, mas ainda pouco explorado no Rio Grande do Norte.

O impacto econômico começa antes da inauguração

A estruturação da Casa 7 Evas já movimenta a economia local. Atualmente, o empreendimento possui 15 empregos diretos e aproximadamente 30 indiretos.

Esse número deverá crescer significativamente a partir de novembro. Com a abertura oficial da vinícola, a expectativa é chegar a aproximadamente 50 empregos diretos.

Os postos indiretos tendem a variar, porque estão relacionados a fornecedores, prestadores de serviços, construção civil, manutenção, eventos e outras atividades que serão incorporadas ao funcionamento do empreendimento.

A expansão para gastronomia, eventos e hospedagem deverá ampliar ainda mais essa cadeia.

“A partir de novembro, quando oficialmente vamos abrir as portas, teremos possivelmente 50 empregos diretos.”

O impacto, portanto, não se limita ao cultivo das uvas ou à produção do vinho.

À medida que o complexo turístico avançar, a Casa 7 Evas poderá envolver profissionais de hotelaria, gastronomia, eventos, turismo, transporte, manutenção, agricultura e serviços especializados.

A estruturação da Casa 7 Evas já movimenta a economia local. Atualmente, o empreendimento possui 15 empregos diretos e aproximadamente 30 indiretos.

O Rio Grande do Norte antes da Casa 7 Evas

A produção de uvas no Rio Grande do Norte não começou com a Casa 7 Evas. Em 2023, dados apresentados pelo Sebrae-RN apontavam aproximadamente 20 hectares de áreas cultivadas com uvas no Estado.

A maior parte da produção era voltada para uvas de mesa, especialmente a variedade Vitória. Municípios como Apodi, na região Oeste, concentravam parte importante dessas áreas.

O diferencial da Casa 7 Evas estava justamente na proposta de utilizar uvas para a produção de vinho.

Naquele período, a empresa também avaliava a utilização de uvas provenientes de outras regiões produtoras, inclusive do Vale do São Francisco, como parte da estratégia para garantir matéria-prima e viabilizar a produção.

Três anos depois, o projeto apresentado pelo empresário é significativamente maior. A Casa 7 Evas trabalha agora com uma estrutura própria de produção, expansão de parreirais e uma nova área destinada ao cultivo para produção de sucos.

A vinícola que nasceu de uma família de sete irmãos

Por trás de um projeto empresarial de dezenas de milhões de reais existe também uma história familiar.

E ela está diretamente no nome da empresa. Palantsky nasceu em uma família de sete irmãos. Todos possuem nomes iniciados por “Eva”: Evanildo, Evaldo, Evaristo e outros.

A ideia de utilizar a casa onde nasceu como referência para a identidade visual da vinícola se juntou à história dos sete irmãos. Assim nasceu o nome Casa 7 Evas.

“Na minha casa somos em sete irmãos. Todos têm a inicial Eva no início. Como usei a casa em que nasci na logomarca da vinícola, daí a origem do nome Casa das 7 Evas.”

O nome, portanto, carrega duas referências pessoais: a casa de origem do empresário e a família formada pelos sete irmãos.

É uma identidade que conecta o empreendimento de hoje às raízes de quem decidiu apostar em uma atividade até então pouco explorada no Estado.

A ideia de utilizar a casa onde nasceu como referência para a identidade visual da vinícola se juntou à história dos sete irmãos.

De viagem a Shanghai para um projeto no RN

A entrevista ao BNews RN aconteceu em um momento particularmente movimentado para o empresário.

Palantsky estava prestes a embarcar para Shanghai, na China, em uma viagem de negócios.

Mesmo diante da agenda internacional, fez questão de atender à reportagem e falar sobre os planos para a Casa 7 Evas, os desafios enfrentados ao longo dos últimos oito anos e o futuro do empreendimento.

A disponibilidade para falar sobre o projeto revela também o momento de transição vivido pela empresa.

Depois de anos dedicados a testes, adaptações e implantação da estrutura, a vinícola está prestes a deixar definitivamente a fase experimental para entrar no mercado.

Novembro representa, portanto, mais do que uma inauguração. É a passagem de um projeto de longo prazo para uma operação comercial.

O próximo capítulo: transformar a vinícola em um ícone

Quando questionado sobre o futuro da Casa 7 Evas, Palantsky não fala apenas em aumentar a produção.

O objetivo é transformar o empreendimento em uma referência turística.

A intenção é fazer com que a vinícola seja reconhecida como um novo ponto de visitação no Rio Grande do Norte, capaz de oferecer uma experiência diferente daquela tradicionalmente associada ao Estado.

“No futuro esperamos transformar isso aqui tudo num ícone do turismo da cidade, abrindo espaço para uma nova opção além das praias aos visitantes que aqui chegarem.”

A frase sintetiza a dimensão mais ambiciosa do projeto.

A Casa 7 Evas pretende vender vinho, mas quer vender também uma experiência.

Quer que o visitante conheça os parreirais, experimente os rótulos, tenha contato com a produção, desfrute da gastronomia, participe de eventos e, no futuro, possa permanecer hospedado no próprio complexo.

É uma estratégia que combina agronegócio, indústria, turismo, gastronomia e experiência.

Uma aposta que pode mudar a paisagem turística

O projeto da Casa 7 Evas chega a 2026 em um momento decisivo.

A primeira fase está próxima da conclusão. A produção comercial de vinhos tem início previsto para novembro. O número de empregos deverá crescer. Novos parreirais serão implantados em Upanema. A produção de sucos entrará no planejamento. E as etapas seguintes deverão acrescentar gastronomia, eventos e hospedagem.

O desafio agora será transformar a ousadia do projeto em uma operação sustentável e capaz de conquistar mercado.

Mas, independentemente do resultado comercial que virá pela frente, a Casa 7 Evas já representa uma mudança de perspectiva sobre o potencial agrícola e turístico do Rio Grande do Norte.

Em um Estado conhecido mundialmente pelas praias, um novo cenário começa a ser desenhado entre parreirais.

E, se a previsão de Palantsky se confirmar, o vinho poderá se tornar mais um produto associado à identidade potiguar.

Não necessariamente para substituir o sol e o mar, mas para acrescentar uma nova experiência ao roteiro de quem visita o Rio Grande do Norte.

De São José de Mipibu para a mesa do consumidor, a Casa 7 Evas quer provar que o Nordeste também pode produzir vinho — e que o Rio Grande do Norte pode transformar essa produção em uma nova atração turística.


Vinícola Casa 7 Evas | @casa7evas

Classificação Indicativa: Livre


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