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Além do desconto: especialista orienta como renegociar dívidas sem voltar ao endividamento

Em alguns casos, explica a especialista, contratar um empréstimo com juros menores pode ser financeiramente mais vantajoso do que manter uma dívida cara  |  Reprodução/Mapler Consultoria Financeira

Publicado em 08/08/2026, às 10h30   Reprodução/Mapler Consultoria Financeira   José Nilton Jr.

O Banco do Brasil já renegociou mais de R$ 68,6 milhões em dívidas no Rio Grande do Norte por meio do programa Novo Desenrola Brasil, beneficiando 11.585 clientes com descontos que chegam a 90%, além de juros reduzidos e prazos mais longos para pagamento. O programa contempla dívidas em atraso entre três meses e dois anos, referentes a contratos firmados até 31 de janeiro de 2026, e segue disponível para novas adesões até setembro.

Foto: Reprodução/Abefin

Mas conseguir um bom desconto não significa, por si só, resolver o problema financeiro. Em entrevista ao BNews RN, a contadora Aliny de Souza Cavalcante, vice-presidente de Registro do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Norte (CRC/RN), esclareceu que a renegociação deve fazer parte de uma estratégia maior de reorganização das finanças.

"Esses programas são indicados para quem possui dívidas em atraso e precisa de condições mais favoráveis de pagamento, como redução de juros, multa e encargos. O objetivo deve ser recuperar o equilíbrio financeiro, e não apenas trocar uma dívida por outra",  explica.

De acordo com a contadora, um dos principais erros cometidos pelos consumidores acontece justamente na hora de aceitar um acordo. "As pessoas renegociam sem conhecer a própria capacidade de pagamento, aceitam parcelas acima do orçamento, deixam de comparar propostas, não leem todas as condições do contrato e, muitas vezes, continuam contraindo novas dívidas antes de quitar as antigas. Isso faz com que a situação vire uma verdadeira bola de neve."

Antes de renegociar, é preciso fazer um diagnóstico financeiro

A especialista afirma que quem percebe que já não consegue pagar as contas em dia deve evitar decisões por impulso. O primeiro passo é entender exatamente como está a situação financeira. Ela recomenda listar todas as receitas, despesas e dívidas, utilizando uma planilha ou até aplicativos de controle financeiro.

Foto: Reprodução/Plusdin

A partir desse diagnóstico, é possível identificar gastos que podem ser reduzidos, priorizar pagamentos e buscar negociações antes que os juros aumentem ainda mais o valor devido. Outra orientação importante é analisar cuidadosamente qualquer proposta antes da assinatura.

"O consumidor precisa avaliar o valor das parcelas, o prazo, a correção e o custo total da negociação. O pagamento deve caber no orçamento mensal. A renegociação precisa contribuir para a estabilidade financeira, e não criar um novo problema."

Nem sempre renegociar é a única saída

Em alguns casos, explica Aliny, contratar um empréstimo com juros menores pode ser financeiramente mais vantajoso do que manter uma dívida cara, como a do cartão de crédito.

Ela ressalta, porém, que essa estratégia só funciona quando existe disciplina financeira. "É preciso colocar tudo na ponta do lápis e fazer um quadro comparativo entre as opções. Um empréstimo pode ser interessante se reduzir significativamente o custo da dívida, mas não faz sentido se a pessoa continuar utilizando crédito e acumulando novos débitos."

Cartão de crédito exige atenção redobrada

Entre as dívidas que mais comprometem o orçamento das famílias estão o cartão de crédito e o cheque especial, justamente por possuírem juros elevados. Por isso, a orientação é priorizar a quitação dessas modalidades.

Foto: Reprodução/BLU365

Para evitar novos problemas, Aliny recomenda utilizar o cartão apenas como meio de pagamento e nunca como complemento da renda. "O ideal é pagar sempre a fatura integral, evitar o crédito rotativo, controlar o número de parcelas e acompanhar os gastos durante o mês. Uma dica importante é ter apenas um cartão de crédito, porque isso facilita o controle financeiro."

Orçamento doméstico é aliado da saúde financeira

Depois da renegociação, o desafio passa a ser evitar que o endividamento volte a acontecer. De acordo com a vice-presidente do CRC/RN, manter um orçamento atualizado é uma das ferramentas mais importantes para preservar a saúde financeira da família.

Foto: Reprodução/CRC-RN

Ela cita como referência a regra 50-30-20, em que cerca de 50% da renda é destinada às necessidades básicas, 30% aos desejos pessoais e 20% para investimentos, reserva financeira ou pagamento de dívidas.

Ela ressalta, porém, que essa proporção deve ser adaptada à realidade de cada família. "Cada situação é diferente. O importante é conhecer para onde o dinheiro está indo e revisar esse planejamento periodicamente, ajustando-o sempre que necessário."

Outro hábito considerado essencial é a formação de uma reserva de emergência, mesmo que os depósitos sejam pequenos. "O mais importante é começar. Reservar uma pequena quantia todos os meses ajuda a criar disciplina e fortalece a segurança financeira ao longo do tempo."

Quando procurar ajuda?

Para quem sente dificuldade em organizar as finanças, Aliny afirma que buscar orientação especializada pode fazer diferença.

Segundo ela, contadores e economistas podem auxiliar no planejamento financeiro; o Procon orienta sobre os direitos do consumidor; advogados atuam quando existem questões jurídicas; e os próprios bancos podem apresentar alternativas de renegociação.

Foto: Reprodução/Rufy

Ela também faz um alerta para quem adia o enfrentamento das dívidas. "Ignorar uma dívida faz com que ela cresça com juros e multas, dificulta o acesso ao crédito, compromete a renda futura e ainda pode afetar a saúde emocional e a qualidade de vida."

Vergonha só aumenta o problema

Apesar do receio que muitas pessoas sentem em falar sobre dificuldades financeiras, a especialista destaca que o endividamento é uma realidade comum e que buscar ajuda é um passo importante para recuperar a estabilidade.

"Ter dificuldades financeiras pode acontecer com qualquer pessoa. O mais importante é agir o quanto antes e construir um plano de ação. Buscar orientação demonstra responsabilidade e aumenta as chances de encontrar soluções viáveis. Quanto mais cedo a situação for enfrentada, maiores serão as possibilidades de recuperar a estabilidade financeira e construir um futuro economicamente sustentável", pontuou a contadora. 

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