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Publicado em 12/09/2026, às 13h27 Foto: reprodução Ranyere Fonseca
A quebra do sigilo dos inquéritos relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro revelou um desdobramento inusitado que atingiu em cheio a cena da música eletrônica no Brasil. A criadora de conteúdo Ana, responsável pelo perfil anatrackid no Instagram, veio a público relatar que descobriu, três anos depois, o real motivo pelo qual sua página foi suspensa e banida em novembro de 2023: uma ordem direta do banqueiro a um operador clandestino para apagar postagens que mostravam uma festa particular de luxo com os DJs Solomun, Vintage Culture e o trio Swedish House Mafia.
O evento exclusivo ocorreu na semana do Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo em 2023, na tradicional boate alternativa Madame Satã, na capital paulista. Na época, Ana obteve vídeos e confirmações de bastidores com integrantes da produção e divulgou o line-up do evento privado, desfazendo boatos e confirmando que os astros mundiais estavam se apresentando na casa noturna. Pouco após a postagem, a conta da jovem foi subitamente retirada do ar pela Meta sem justificativa plausível de infração às diretrizes de comunidade, o que a obrigou a mover uma ação judicial contra a controladora da rede social.
Com a liberação dos relatórios da Polícia Federal (PF) pelo ministro André Mendonça, a influenciadora identificou mensagens e capturas de tela nos autos da investigação. Nelas, Vorcaro envia o link direto da publicação da jovem ao intermediário Felipe Mourão, identificado nos relatórios policiais pelo codinome "Sicário", exigindo a remoção do conteúdo para impedir a circulação de imagens do evento VIP restrito.
A festa particular reuniu nomes que habitualmente cobram cachês milionários e ocupam o topo dos maiores festivais globais de entretenimento:
Swedish House Mafia: trio sueco formado por Axwell, Sebastian Ingrosso e Steve Angello, com mais de 6,6 bilhões de streams no Spotify. Conhecidos por hits monumentais como "Don't You Worry Child" e "Moth To A Flame", os artistas são atrações de destaque do Coachella, Tomorrowland e do festival GP Week no Brasil;
Vintage Culture (Lukas Ruiz): um dos maiores nomes da cena brasileira contemporânea, com apresentações em três edições do Rock in Rio e residências em clubes de Ibiza e Las Vegas, acumulando faixas consagradas como "Slow Down" e mais de 2,8 bilhões de reproduções em plataformas de áudio;
Solomun: DJ e produtor bósnio radicado na Alemanha, expoente mundial do deep house e do techno melódico, célebre pela histórica residência "Solomun +1" no club Pacha em Ibiza e apresentações frequentes no festival Time Warp.
O relato exposto pela influenciadora ilustra a dimensão das ferramentas operadas nos bastidores para blindar a privacidade do antigo controlador do Master:
Ordem de censura velada: nos diálogos interceptados pela PF, Vorcaro compartilha o link e cobra ações imediatas para "derrubar" o material na plataforma;
Batalha judicial com a Meta: a influenciadora relatou ter ficado meses sem acesso ao trabalho na rede, enfrentando custos com advogados até recuperar provisoriamente o perfil após interferência interna de um funcionário da empresa de tecnologia;
Repercussão pública: ao comentar a revelação do relatório policial, a criadora declarou perplexidade por ver sua página envolvida nas teias do caso federal, ironizando que, apesar dos métodos espúrios de censura, Vorcaro ao menos "tinha bom gosto musical" para montar eventos.