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Publicado em 13/03/2026, às 13h59 Reprodução/Freepik Giovana Gurgel
Mesmo sendo uma infecção prevenível e com tratamento gratuito disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a sífilis segue avançando no Rio Grande do Norte. Dados recentes apontam crescimento expressivo da doença no estado ao longo da última década, com impacto direto em gestantes e recém-nascidos.
De acordo com o último Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), entre 2014 e 2024 os casos de sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, cresceram 63,5%. No mesmo período, os registros de sífilis adquirida aumentaram 604,1%, enquanto os diagnósticos entre gestantes subiram 360,4%.
A doença é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode evoluir para quadros graves quando não tratada. Entre as possíveis complicações estão danos neurológicos, problemas cardiovasculares e consequências severas para a gestação.
A sífilis é transmitida principalmente por relações sexuais sem proteção, mas também pode ocorrer por contato com sangue contaminado, como no compartilhamento de seringas. Outra forma de transmissão é a vertical, quando a infecção passa da gestante para o bebê durante a gravidez ou no momento do parto.
Esse tipo de contágio é considerado um dos maiores desafios no controle da doença. Segundo especialistas, a ausência de diagnóstico precoce ou de tratamento adequado aumenta significativamente o risco de infecção do recém-nascido.
Em 2024, o Rio Grande do Norte registrou quase mil casos de sífilis em gestantes e 479 diagnósticos de sífilis congênita. Apesar de uma pequena redução no número total de ocorrências em comparação com o ano anterior, a proporção de transmissão aumentou.
Atualmente, cerca de metade das mulheres diagnosticadas com sífilis durante a gravidez ainda acabam transmitindo a doença ao bebê. A taxa de transmissão vertical passou de 47,5% para 49,1%, indicando que quase uma em cada duas gestantes infectadas repassa a infecção durante a gestação ou no parto.
Segundo o ginecologista Robinson Dias, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (Sogorn), a prevenção continua sendo a principal estratégia para frear o avanço da doença.
Ele explica que o uso de preservativos nas relações sexuais é uma medida fundamental para evitar a infecção. No caso das gestantes, o pré-natal desempenha papel decisivo na identificação precoce da doença e no início do tratamento, reduzindo o risco de transmissão ao bebê.
De acordo com o especialista, ampliar o acesso e a qualidade do pré-natal é uma das medidas mais eficazes para reduzir os casos de sífilis congênita. O acompanhamento adequado permite a realização de exames, diagnóstico rápido e início imediato do tratamento.
Além disso, é necessário garantir o tratamento também para os parceiros das gestantes, evitando a reinfecção e interrompendo o ciclo de transmissão da doença.
Robinson Dias destaca ainda que o combate à sífilis depende de um conjunto de fatores, incluindo acesso aos serviços de saúde, informação à população e continuidade no cuidado médico. Quando esses elementos falham, a doença encontra espaço para continuar se espalhando de forma silenciosa.
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