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Risco oculto na boca: estudo liga cáries e gengivite a alta probabilidade de AVC

O estudo em questão acompanhou mais de 5 mil adultos com média de 63 anos de idade que não tinham histórico prévio de AVC  |  Além do AVC, o levantamento também identificou que a má condição dental está relacionada a um risco 36% maior de infartos - Reprodução/Shutterstock

Publicado em 03/12/2025, às 15h26   Além do AVC, o levantamento também identificou que a má condição dental está relacionada a um risco 36% maior de infartos - Reprodução/Shutterstock   José Nilton Jr.

Cuidar da saúde dental pode proporcionar várias vantagens que vão além do cuidado com dentes e gengivas, segundo pesquisas recentes que apontam ligação direta entre problemas bucais e doenças neurológicas e cardiovasculares. Um estudo publicado na revista Neurology revelou que a presença de cáries e enfermidades periodontais está associada a um aumento de 86% na probabilidade de sofrer um AVC isquêmico.

O estudo acompanhou mais de 5 mil adultos com média de 63 anos de idade que não tinham histórico prévio de AVC, constatando que pessoas com cáries dentárias e doença periodontal registraram taxa de 10% de acidentes vasculares ao longo de 20 anos, enquanto entre aqueles com boa saúde bucal o índice foi de apenas 4%.

Além do AVC, o levantamento também identificou que a má condição dental está relacionada a um risco 36% maior de infartos e outros problemas cardiovasculares.

Inflamação que atravessa o corpo

De acordo com especialistas, a explicação para essa conexão passa por processos inflamatórios sistêmicos que começam na boca e alcançam o sistema vascular. Quadros prolongados de inflamação favorecem o estreitamento das artérias, aumentam a resistência vascular e alteram a função do endotélio, fatores diretamente associados a doenças cardíacas e cerebrais.

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Os estudiosos  também alegam que a doença periodontal representa um processo inflamatório crônico capaz de permitir que bactérias da cavidade oral alcancem a corrente sanguínea. Esse mecanismo favorece o surgimento de aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias e pelo maior risco de infarto e AVC isquêmico.

Consultas regulares reduzem o risco

Também foi reforçado pelos pesquisadores a importância de visitas periódicas ao dentista, já que pacientes que mantinham acompanhamento regular apresentaram 81% menos probabilidade de ter gengivite e cáries e 29% menos chances de desenvolver apenas problemas gengivais.

Além disso, os estudiosos recomendam uma atenção especial para pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas ou que convivem com fatores de risco como hipertensão e diabetes, ampliando a necessidade de monitoramento consistente da saúde bucal.

Impactos no cérebro também chamam atenção

Outras pesquisas relacionadas ao tema ampliam o alerta ao mostrar relações entre saúde bucal e doenças neurológicas. Uma investigação finlandesa apontou que bactérias presentes na boca têm associação com casos graves de aterosclerose, além de mortes por doenças cardíacas e infarto.

No ano de 2019, um estudo publicado na revista Science Advances identificou a bactéria Porphyromonas gingivalis no cérebro de pacientes com Alzheimer, levantando hipóteses sobre a influência da inflamação bucal no desenvolvimento da doença.

Uma outra pesquisa, sendo essa divulgada na Nature em 2021, sugeriu ligação entre a periodontite e a doença de Parkinson, considerando a inflamação provocada por microrganismos da boca como uma possível explicação para essa associação.

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