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Policial potiguar que adotou cinco irmãos após ocorrência inspira novela da Globo

Policial potiguar que adotou cinco irmãos após ocorrência inspira novela da Globo. A trajetória de Flaviana e dos filhos ganhou repercussão nacional em 2020.  |  Foto: Reprodução

Publicado em 22/08/2026, às 14h50   Foto: Reprodução   Redação

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Uma ocorrência de homicídio atendida em Parnamirim, na Grande Natal, mudou a vida da policial civil Flaviana Bezerra. O que começou como parte da rotina de trabalho criou um vínculo com cinco irmãos que, anos depois, se tornariam seus filhos. Agora, a história da potiguar chegou à televisão e serviu de inspiração para a novela “Por Você”, da TV Globo.

Nascida em Natal, Flaviana tem 51 anos e nunca havia planejado ser mãe. A maternidade surgiu de forma inesperada em agosto de 2018, quando ela integrava uma equipe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) chamada para investigar um assassinato.

A vítima era pai de cinco filhos, que já haviam perdido a mãe três anos antes. Após o crime, os irmãos ficaram em uma situação ainda mais delicada. Foi durante o atendimento à ocorrência que Flaviana conheceu a família e percebeu as condições de vulnerabilidade em que viviam.

Inicialmente, a ajuda veio da própria Polícia Civil. Agentes arrecadaram dinheiro e alimentos e se mobilizaram para que os irmãos pudessem permanecer juntos. Flaviana também participou desse acolhimento, mas a relação, aos poucos, deixou de ser apenas uma ajuda motivada pelo trabalho.

O vínculo se fortaleceu e ela acabou assumindo o papel de mãe de cinco dos irmãos.

História chegou à televisão

A trajetória de Flaviana e dos filhos ganhou repercussão nacional em 2020, quando foi mostrada pelo g1 e pelo Fantástico. Seis anos depois, a história serviu de inspiração para a construção de uma personagem da teledramaturgia.

Na novela “Por Você”, que estreou em 17 de agosto, Sheron Menezes interpreta Bela, uma médica obstetra que passa a cuidar dos quatro filhos da melhor amiga após a morte dela.

Embora a trama não reproduza exatamente a história da policial potiguar, a experiência de Flaviana esteve entre as inspirações dos autores para abordar uma maternidade que nasce fora dos planos e é construída a partir do afeto.

A repercussão também coloca em evidência outro tema presente na trajetória da família: a adoção tardia, especialmente de grupos de irmãos.

Antes da polícia, o sonho era Medicina

A carreira que levou Flaviana até aquela ocorrência também não estava nos planos iniciais. Antes de entrar para a Polícia Civil, ela sonhava em cursar Medicina.

De origem humilde, precisava conciliar trabalho e estudos. O caminho começou a mudar no início dos anos 2000, depois que uma prima sofreu assédio no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal. Flaviana encontrou a familiar abalada, localizou o homem apontado como responsável e conseguiu contê-lo até a chegada da polícia.

Na delegacia, policiais que acompanharam a ocorrência sugeriram que ela prestasse concurso para a corporação. A ideia inicial era conseguir estabilidade financeira enquanto continuava se preparando para o vestibular de Medicina.

Flaviana fez um curso preparatório de apenas 20 dias, foi aprovada e acabou convocada em 2006. O plano de passagem pela segurança pública se transformou em profissão.

Ao longo de duas décadas, atuou em atividades de campo, inteligência, operações e capturas, passou pela DHPP e trabalhou durante três anos no Ministério da Justiça.

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