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Publicado em 26/05/2026, às 13h20 Reprodução/Instagram Papa/@pontifex Giovana Gurgel
O papa Leão XIV reconheceu oficialmente a responsabilidade histórica da Igreja Católica na legitimação da escravidão e pediu perdão pelos abusos cometidos ao longo dos séculos. A declaração foi publicada na segunda-feira (25), na encíclica (carta solene escrita pelo Papa) “Magnífica Humanidade”, primeiro documento oficial do novo pontífice.
Pela primeira vez, um líder da Igreja reconheceu de forma direta o papel institucional da Santa Sé na autorização de práticas de escravização durante o período colonial. No texto, Leão XIV definiu o tema como uma “ferida na memória cristã” e afirmou que a Igreja demorou séculos para condenar explicitamente a escravidão.
“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e a humilhação suportados por tantos”, escreveu o pontífice. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”
A encíclica relembra bulas papais emitidas entre os séculos XV e XVI que autorizavam monarcas portugueses a conquistar territórios, subjugar povos considerados “infiéis” e reduzir pessoas à escravidão perpétua. Entre os documentos citados está uma bula assinada em 1452 pelo papa Nicolau V, considerada uma das bases históricas para a expansão colonial europeia e para o tráfico de pessoas escravizadas.
Embora pontífices anteriores já tenham pedido desculpas pela participação de cristãos no tráfico transatlântico, nenhum havia reconhecido diretamente a responsabilidade institucional da própria Igreja Católica no processo.
No documento, Leão XIV também relacionou o passado escravagista às novas formas de exploração humana no mundo contemporâneo. O papa alertou para riscos associados à Inteligência Artificial (IA), ao trabalho precário e à exploração de minerais raros utilizados na indústria tecnológica.
Segundo o pontífice, a chamada “escravidão moderna” pode ganhar força diante da revolução tecnológica caso não existam mecanismos de proteção à dignidade humana e aos direitos sociais. O líder religioso ainda destacou que a incompatibilidade total entre cristianismo e escravidão só foi reconhecida oficialmente pela Igreja após 18 séculos.
“Não podemos negar ou minimizar essa demora”, afirmou.
Nascido nos Estados Unidos com o nome Robert Prevost, Leão XIV possui ascendência crioula e ancestrais negros identificados em pesquisas genealógicas recentes. Antes de assumir o comando da Igreja Católica, o pontífice viveu durante quase duas décadas no Peru, onde atuou junto a comunidades indígenas da região amazônica.
A declaração acontece poucas semanas após uma viagem oficial do papa ao continente africano, ocasião em que relembrou os impactos do tráfico negreiro durante o período colonial português.
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