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Paciente vive 271 dias com rim de porco antes de receber órgão humano; estudo tem liderança brasileira

Estudo inédito revela que órgãos de animais geneticamente modificados, como rim de porco, podem ser a solução para a insuficiência renal terminal.  |  Foto: divulgação

Publicado em 06/09/2026, às 10h14   Foto: divulgação   Ranyere Fonseca

Um avanço histórico na medicina translacional comprovou pela primeira vez que órgãos de animais geneticamente modificados podem servir como alternativa viável para salvar pacientes com insuficiência renal terminal. O norte-americano Tim Andrews, de 66 anos, viveu durante 271 dias, quase nove meses completos,sem depender de sessões de hemodiálise após receber o rim de um suíno. Meses após a retirada do enxerto animal, o paciente foi submetido com sucesso a um transplante com um órgão humano e passa bem.

O estudo que documenta a transição inédita e o tempo recorde de funcionamento do órgão suíno em uma pessoa viva foi divulgado na prestigiada revista científica britânica The Lancet. O caso foi conduzido e acompanhado de perto por uma equipe multidisciplinar do Massachusetts General Hospital e da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, sob a liderança científica do médico nefrologista brasileiro Leonardo Riella, referência internacional na área de transplantes.

A conquista estabelece um novo paradigma para a ciência, demonstrando que o contato prévio com o tecido de outra espécie (xenotransplante) não provocou uma resposta hiperimune irreversível nem impediu o organismo do paciente de aceitar o rim humano posterior. A cirurgia foi realizada por meio do programa de acesso compassivo da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), oferecendo uma saída a um paciente que enfrentava previsão de até dez anos de espera na fila regular de doação em virtude de seu perfil imunológico e tipo sanguíneo.

Edição genética avançada e transição segura

Para viabilizar o xenotransplante sem que ocorresse rejeição hiperaguda imediata, os cientistas utilizaram o rim de um suíno da raça miniatura de Yucatán submetido a 69 modificações no código genético. As alterações incluíram o bloqueio de antígenos que acionam os ataques do sistema imune humano, a inserção de genes humanos protetores e a neutralização de retrovírus endógenos do animal para prevenir infecções cruzadas.

Ao longo dos quase nove meses de monitoramento, o rim animal desempenhou as funções de filtragem com eficiência:

Após o declínio do enxerto em outubro de 2025 e uma curta temporada de retorno à diálise, Andrews recebeu o rim humano em janeiro de 2026, com funcionamento imediato e ausência de complicações imunológicas cruzadas decorrentes do experimento animal.

O papel do órgão animal como ponte de sobrevivência

Diante da escassez crônica de órgãos humanos no mundo, cenário classificado por Leonardo Riella como a maior crise contemporânea na área de transplantes, os resultados abrem caminho para que os rins suínos passem a operar como uma "ponte de sobrevivência".

A estratégia tem o potencial de retirar milhares de pacientes terminais da rotina debilitante das máquinas de hemodiálise, reduzindo o risco de mortalidade cardiovascular e preservando a condição clínica geral do enfermo enquanto a doação definitiva de um órgão humano compatível não se concretiza.

Ajustes científicos e perspectivas para o futuro

Embora a empresa de biotecnologia parceira tenha relatado a transição bem-sucedida de um segundo voluntário de rim animal para humano, a comunidade científica pondera que o protocolo ainda necessita de calibração laboratorial antes de ser incorporado em larga escala na rotina dos hospitais.

Os pesquisadores concentram esforços agora em:

Classificação Indicativa: Livre


TagsDoação de órgãosInsuficiência renalRim de porco