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Publicado em 21/10/2025, às 12h59 Reprodução/Freepik Giovana Gurgel
O câncer de mama é responsável por 30% dos casos oncológicos registrados entre as mulheres do Rio Grande do Norte, segundo o Boletim Epidemiológico do Câncer 2025 da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN).
O levantamento mostra que, entre 2020 e 2024, a taxa de incidência da doença cresceu quase 50%, passando de 301 para 449 casos por 100 mil mulheres.
No mesmo período, o tumor foi o segundo que mais causou mortes, representando cerca de 8% dos óbitos femininos por câncer.
Diante desse cenário, o Outubro Rosa reforça o alerta: diagnosticar cedo é salvar vidas.
“Detectar a doença em estágio inicial significa identificar o tumor antes que ele seja palpável, com menos de 2 cm, e sem metástase. Nesse estágio, temos mais de 90% de chance de cura”, explica a mastologista Nicoli Serquiz, da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do RN (Sogorn).
Os avanços tecnológicos, como o uso da inteligência artificial (IA) na leitura de mamografias, têm tornado o diagnóstico mais preciso e ágil.
“A escolha do exame depende da idade, densidade mamária e histórico familiar. A ultrassonografia é indicada para mulheres jovens, a ressonância para casos de alto risco genético e a tomossíntese, uma mamografia 3D, melhora a detecção em mamas densas”, detalha a especialista.
Em 2025, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes da mamografia: mulheres de 40 a 74 anos podem realizar o rastreamento a cada dois anos. Abaixo dessa faixa, o exame é indicado apenas para quem tem histórico familiar ou apresenta nódulos suspeitos.
A consultora comercial Cristiane Nelo, de Natal, é exemplo da importância da detecção precoce. Aos 40 anos, descobriu o câncer durante um exame de rotina em 2021.
“Fiz cinco cirurgias em seis meses, porque meu corpo não aceitou a prótese. Além do impacto físico, enfrentei crises de ansiedade e medo”, relata.
Hoje, em remissão, ela reforça a importância do cuidado: “A mamografia é rápida e salva vidas. O desconforto é pequeno perto do benefício”.
Segundo Nicoli Serquiz, o rastreamento regular permite tratamentos menos invasivos e maiores chances de cura. “É um gesto de amor-próprio e autocuidado que pode fazer toda a diferença”, afirma.
Além dos exames clínicos, o autoexame continua sendo uma ferramenta essencial de vigilância. A coordenadora do curso de Enfermagem da Estácio, Karolinne Mirapalheta, orienta que a prática deve começar a partir dos 20 anos.
“É importante observar e apalpar as mamas com frequência, preferencialmente no banho e sete dias após o ciclo menstrual. Qualquer alteração - nódulo, dor persistente, secreção ou mudança na pele - deve ser avaliada por um profissional”, explica.
O gesto simples pode ser o ponto de partida para um diagnóstico precoce e salvar vidas. A especialista lembra que, ao tocar toda a mama, inclusive a região axilar, é possível identificar alterações antes mesmo que causem dor ou desconforto.
Após vencer o tratamento, Cristiane Nelo adotou novos hábitos: “Hoje mantenho uma alimentação saudável, pratico exercícios e cuido do corpo e da alma”.
A nutricionista Marcela Tamiozzo, especialista em Nutrição Oncológica e docente da Estácio, reforça que a alimentação equilibrada é uma aliada na prevenção. “Manter o peso adequado, praticar atividades físicas e incluir alimentos protetores reduz o risco da doença”, afirma.
Entre os aliados estão as crucíferas (como brócolis e couve-flor), frutas vermelhas, chá verde e soja, ricos em substâncias antioxidantes e fitoestrogênios. Já o Ômega 3, presente em peixes como salmão, cavala e sardinha, tem ação anti-inflamatória e contribui para a saúde mamária.
“Essas escolhas diárias, somadas ao acompanhamento médico regular, formam a melhor estratégia para prevenir e combater o câncer de mama”, conclui Marcela.
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