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Publicado em 15/07/2026, às 12h41 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Giovana Gurgel
A cobertura vacinal infantil continua abaixo do esperado em diversas partes do mundo. Dados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que, em 2025, cerca de 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida. Além disso, outras 7,3 milhões não completaram o esquema básico de imunização, cenário que mantém 15% dos bebês com proteção insuficiente contra doenças evitáveis.
As informações fazem parte do levantamento Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, elaborado com dados enviados pelos governos de 195 países. O estudo aponta que, apesar de avanços em relação ao ano anterior, a cobertura global ainda está distante dos níveis considerados ideais.
Em 2025, aproximadamente 116 milhões de crianças receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, conhecida como vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). O número representa um aumento de cerca de 750 mil crianças em comparação com 2024.
Apesar da recuperação observada após a pandemia de Covid-19, o Unicef alerta que o número de crianças sem qualquer imunização permanece elevado. Segundo a entidade, esse cenário amplia o risco de novos surtos de doenças e mantém os índices próximos aos registrados em 2009, ainda inferiores aos observados antes da pandemia.
O levantamento também identificou que o abandono da vacinação ocorre principalmente antes da aplicação da primeira dose da vacina contra o sarampo. Em 2025, 84% das crianças receberam a primeira dose, enquanto apenas 77% completaram a segunda aplicação. O percentual está abaixo da cobertura mínima de 95% considerada necessária para evitar a circulação do vírus.
Como consequência dessa baixa cobertura, mais de 411 mil casos de sarampo foram registrados em 57 países ao longo de 2025, reforçando a preocupação das autoridades de saúde com a retomada de doenças preveníveis.
O relatório mostra que 100 dos 195 países analisados conseguiram manter cobertura igual ou superior a 90% com as três doses da vacina contra DTP desde 2019. Em contrapartida, outros 65 países permaneceram estagnados ou apresentaram retrocessos, incluindo 13 nações afetadas por conflitos armados ou em situação de elevada vulnerabilidade.
Segundo a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, a recuperação das taxas globais de vacinação ocorreu graças aos esforços de governos e profissionais de saúde, mas milhões de crianças continuam desprotegidas em razão de guerras, deslocamentos forçados e pobreza. O estudo destaca que mais da metade das crianças sem nenhuma dose de vacina vive justamente em regiões marcadas por conflitos e instabilidade.
Outro fator de preocupação é a queda da cobertura vacinal em países de renda média e alta. O relatório atribui esse movimento à redução do compromisso político, dificuldades estruturais dos sistemas de saúde e ao crescimento da hesitação vacinal. Entre os exemplos citados estão a África do Sul e a Bósnia e Herzegovina, que registraram quedas expressivas nos índices de imunização.
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Na contramão da tendência observada em parte do mundo, o Brasil apresentou melhora contínua na cobertura vacinal e reduziu o número de crianças sem nenhuma dose de vacina, atualmente estimadas em cerca de 50 mil. O levantamento também aponta avanços na integração e na qualidade dos dados públicos de imunização.
Mesmo assim, nem todas as metas foram alcançadas. A cobertura completa da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, com três doses, permanece em torno de 86%, abaixo do nível considerado ideal. O relatório ainda faz uma ressalva sobre a ausência de pesquisas nacionais independentes de cobertura vacinal nos últimos cinco anos, prática recomendada pela OMS e pelo Unicef.
O estudo também alerta que os recentes cortes de financiamento internacional, especialmente por parte do governo dos Estados Unidos, e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento podem comprometer novos avanços. Neste ciclo, apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas para análise, número muito inferior às 50 registradas em 2024 e à média anual de 33 levantamentos entre 2015 e 2019.