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Publicado em 11/11/2025, às 12h57 © Tomaz Silva/Agência Brasil Giovana Gurgel
O câncer infantojuvenil representa cerca de 3% de todos os casos de neoplasias no Brasil, com mais de 8 mil novos diagnósticos a cada ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Embora as chances de cura cheguem a patamares elevados quando há diagnóstico precoce, a mortalidade infantil ainda é considerada alta no país, principalmente em regiões periféricas, onde o acesso ao atendimento especializado ocorre tardiamente.
O coordenador do diagnóstico precoce da Casa Durval Paiva, Luiz da Costa Nepomuceno Filho (CRBM2: 11928 | CRF/RN: 6776), destaca que o Agente Comunitário de Saúde (ACS) desempenha papel estratégico nessa realidade.
“O ACS está na porta das casas, conhece a rotina das famílias, suas dificuldades e seus medos. Ele é o primeiro a ter contato com sinais que muitas vezes passam despercebidos”, afirma Luiz.
Cada agente pode acompanhar até 750 famílias por território, o que torna sua atuação decisiva para reduzir atrasos no diagnóstico.
Segundo ele, sintomas como febre persistente, palidez, perda de peso e dores ósseas podem ser confundidos com problemas comuns da infância.
“Quando o ACS está capacitado, ele não naturaliza esses sinais. Ele investiga, orienta e encaminha rapidamente. É isso que salva vidas”, explica.
Luiz aponta que há esforços importantes em andamento, mas que precisam ser ampliados. Entre as propostas mencionadas estão:
Capacitação continuada: “É fundamental que os agentes tenham formação constante baseada em protocolos claros, como os materiais do INCA.”
Sistemas de alerta precoce: “Ferramentas digitais podem facilitar o registro de sinais suspeitos e agilizar o contato com especialistas. A Inteligência Artificial pode ser uma aliada.”
Apoio multiprofissional: “A presença de pediatras e oncologistas nas reuniões de equipe da Atenção Básica qualifica a discussão dos casos.”
Para ele, reconhecer o ACS como protagonista é crucial. “Não é só diagnosticar. É orientar, acolher, construir vínculo. É fazer a comunidade confiar no cuidado.”
O especialista lembra que a atuação dos agentes também fortalece a vigilância epidemiológica.
“Quando um ACS registra um caso suspeito no sistema, isso gera dados que orientam políticas. Foi assim que uma campanha estadual de triagem ocular no Piauí começou, após aumento de notificações de retinoblastoma.”
Para consolidar avanços, Luiz defende a inclusão de conteúdos de oncologia pediátrica na formação dos agentes, o investimento em telemedicina e o reconhecimento formal desses profissionais como estratégicos no enfrentamento ao câncer infantil.
“Nenhuma criança deveria morrer por falhas no sistema. Se o agente comunitário for capacitado, valorizado e apoiado, nós mudamos essa realidade”, conclui.
A declaração dialoga com orientações da Organização Pan-Americana da Saúde, que reforçam a importância de estratégias articuladas na atenção primária para reduzir a mortalidade infantil evitável.
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