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Publicado em 06/01/2026, às 20h03 Imagem: PeopleImages/Getty Images Redação
A dificuldade ou até a ausência de prazer sexual em mulheres, conhecida como anorgasmia feminina, é mais comum do que muitas pessoas imaginam. De acordo com a psicóloga e sexóloga Alessandra Araújo, o problema raramente está ligado apenas a questões físicas. Na maioria dos casos, envolve uma soma de fatores culturais, emocionais e relacionados ao próprio relacionamento.
Segundo a especialista, um dos principais entraves é o pouco conhecimento sobre o próprio corpo, aliado a uma visão limitada do sexo, muito centrada na penetração. “Desde cedo, a educação sexual, a cultura popular e até a pornografia reforçam a ideia de que o prazer feminino acontece da mesma forma que o masculino, o que não é verdade”, explica. Estudos indicam que apenas cerca de 30% das mulheres conseguem atingir o orgasmo apenas com a penetração vaginal.
O clitóris, órgão responsável exclusivamente pelo prazer, é mais complexo do que muitos imaginam e tem grande parte de sua estrutura localizada internamente. Por isso, na maioria das vezes, a estimulação direta e contínua é fundamental. Além disso, padrões históricos de passividade feminina ainda dificultam que muitas mulheres explorem o próprio corpo e conversem abertamente sobre o que sentem ou desejam.
O prazer feminino está diretamente ligado à sensação de segurança e relaxamento. Ansiedade, vergonha, culpa ou experiências traumáticas podem ativar um estado de alerta no cérebro, dificultando a excitação. “Quando a mente associa o prazer a algo errado ou proibido, o corpo responde com tensão e bloqueio”, afirma Alessandra.
Outro ponto importante é a qualidade da relação íntima. Muitas mulheres sentem dificuldade em expressar preferências, falar sobre ritmo, estímulos ou desconfortos. A ausência de conexão emocional como diálogo, carinho e atenção, também pode impedir que o desejo apareça de forma natural.
Para a sexóloga, o caminho passa por mais informação, menos tabu e mais autoconhecimento. A masturbação, por exemplo, ajuda a entender o que gera prazer e amplia as possibilidades de vivenciar o orgasmo. Ainda assim, ela ressalta que o sexo não deve ser medido apenas pelo resultado final. “Prazer envolve troca, intimidade, leveza e diversão. O orgasmo é uma consequência, não uma obrigação.”
Quando a dificuldade persiste, buscar apoio profissional pode ser fundamental. Terapia sexual ou acompanhamento com um sexólogo ajudam a trabalhar bloqueios emocionais, traumas e a ansiedade que muitas vezes impedem o corpo de responder ao prazer.
Com informações do Metrópoles.