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Publicado em 29/04/2026, às 15h01 Reprodução/Arquivos/Agência Brasil Giovana Gurgel
Faltando poucos dias para o início da aplicação provisória do tratado comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), os países do bloco sul-americano seguem sem consenso sobre a divisão das cotas de importação de carne bovina. O principal embate ocorre entre Brasil e Paraguai, que defendem critérios diferentes para repartir o volume autorizado de exportação.
A cota anual prevista para carne bovina é de 99 mil toneladas, com tarifa inicial de 7,5%, considerada uma condição estratégica para os produtores da região. O total deverá ser compartilhado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mas as divergências impedem um anúncio definitivo.
O acordo também prevê acesso ampliado de produtos agrícolas ao mercado europeu com tarifas reduzidas, desde que respeitados limites previamente estabelecidos. A carne bovina, porém, tornou-se o centro da disputa comercial dentro do bloco.
O Paraguai, atual presidente temporário do Mercosul, propôs uma divisão igualitária entre os quatro integrantes, garantindo 24,75 mil toneladas para cada país. A sugestão, no entanto, enfrenta resistência do governo brasileiro.
Maior produtor e exportador de carne bovina do grupo, o Brasil argumenta que a partilha precisa considerar a capacidade produtiva de cada membro e o histórico de vendas externas para a Europa. O entendimento é que critérios técnicos seriam mais adequados que uma divisão linear.
Atualmente, o Brasil já exporta carne bovina para a União Europeia dentro de uma cota aproximada de 8,9 mil toneladas, submetida a tarifa de 20%. Fora desse limite, as alíquotas variam entre 40% e 90%, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Sem entendimento imediato, negociadores do bloco admitem uma alternativa temporária para o início da vigência do tratado. Nesse modelo, a utilização da cota ocorreria conforme a ordem dos contratos fechados, sem divisão antecipada entre os países.
A expectativa entre representantes do setor é que uma solução definitiva seja construída apenas em 2027, conforme o acordo avance em sua implementação prática e novas rodadas de negociação sejam realizadas.
Enquanto isso, o impasse revela o tamanho da disputa econômica em torno do mercado europeu, considerado um dos mais valiosos e estratégicos para a carne produzida no Mercosul.
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