Geral
Publicado em 12/08/2026, às 21h09 Reprodução: Instituto de Treinamento em Cadáveres Jussier Lucas
O uso de corpos humanos preservados por congelamento tem ganhado espaço na capacitação de profissionais da saúde, especialmente em treinamentos de cirurgia robótica. Conhecido como método de “cadáver fresco”, o procedimento permite reproduzir com maior fidelidade características anatômicas encontradas em pacientes vivos.
A técnica se diferencia da conservação tradicional com formaldeído, que pode alterar propriedades dos tecidos, como rigidez, coloração e textura. Com o congelamento, estruturas anatômicas são preservadas de forma mais próxima de suas condições naturais, o que permite aos médicos praticar procedimentos em um cenário mais realista.
A expansão desse tipo de treinamento ocorre em um momento de crescimento da cirurgia robótica no Brasil. Dados divulgados pela Associação Médica Brasileira (AMB) apontaram aumento de 417% no número de cirurgias robóticas entre 2018 e 2022, em comparação com o período de 2009 a 2018.
Leia também:
Segundo o médico Francisco Castillo, diretor de Ensino e Pesquisa do Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART), o uso de cadáveres frescos permite que os profissionais tenham contato com a resistência e a consistência dos tecidos humanos durante a capacitação.
A técnica também favorece a compreensão tridimensional da anatomia, incluindo a relação entre diferentes estruturas e as particularidades existentes de um corpo para outro. Com isso, os médicos podem treinar técnicas cirúrgicas e procedimentos estéticos antes de aplicá-los em pacientes.
Para Castillo, o treinamento com peças anatômicas é uma ferramenta importante na formação e no aperfeiçoamento de profissionais. A experiência permite relacionar o conhecimento adquirido em anatomia às técnicas que serão utilizadas posteriormente em procedimentos médicos.
O Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART) foi inaugurado em março de 2026 com a proposta de oferecer capacitação médica utilizando cadáveres frescos e tecnologias robóticas.
Os treinamentos incluem áreas como cirurgia robótica urológica e são destinados a diferentes públicos da área da saúde, entre médicos experientes e residentes. Estudantes também podem participar, assim como profissionais de equipes multiprofissionais, incluindo enfermeiros, técnicos e instrumentadores cirúrgicos.
A metodologia também atrai profissionais de outros países. O urologista peruano Gustavo Cabanillas participou de um curso de cirurgia robótica urológica e destacou a possibilidade de desenvolver habilidades cirúrgicas e praticar técnicas de dissecção em um ambiente mais próximo da realidade.
Com a expansão da cirurgia robótica e de outras tecnologias aplicadas à medicina, o treinamento em cadáveres frescos surge como uma ferramenta para aproximar a formação prática das condições encontradas durante procedimentos realizados em pacientes.