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Publicado em 06/11/2026, às 06h33 Foto: André Guajajara/MPI Ranyere Fonseca
Em uma cerimônia histórica para as relações exteriores brasileiras, o Palácio Itamaraty, em Brasília, oficializou a posse dos novos alunos do curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, marcando a entrada inédita de representantes de povos originários e de comunidades quilombolas na carreira. A solenidade marcou a admissão de Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e de Idjahure Terena, do povo Terena, além de uma diplomata quilombola, rompendo com a tradicional homogeneidade de uma das instituições públicas mais antigas do país.
A turma que inicia o processo de formação de dois anos reúne cerca de 60 aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e consolida-se como a mais inclusiva da história do Ministério das Relações Exteriores. Quase metade das vagas foi preenchida por candidatos oriundos de grupos historicamente sub-representados na diplomacia, resultado direto do fortalecimento de ações afirmativas e cotas raciais, somado a um recorde de 45% de presença feminina entre os futuros diplomatas.
Durante o ato de posse em Brasília, autoridades do governo federal e lideranças comunitárias ressaltaram a relevância de fazer com que o corpo de diplomatas espelhe a pluralidade étnica e cultural da sociedade brasileira nos fóruns internacionais. A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, enfatizou que acolher os primeiros diplomatas originários e quilombolas representa um ato de resistência e um compromisso de Estado para garantir que essas vozes participem ativamente da construção do posicionamento externo do Brasil.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, destacou que o momento simboliza a ocupação legítima de espaços técnicos de decisão por lideranças preparadas, lembrando o contraste entre a histórica tutela estatal e a chegada ao corpo diplomático. A celebração contou ainda com a presença do escritor e acadêmico Ailton Krenak, que pontuou a importância de romper com a rigidez dos ritos institucionais tradicionais para abrir caminhos a novas narrativas e saberes no serviço diplomático brasileiro.
A seleção dos novos integrantes do corpo diplomático evidencia a qualificação de profissionais que superaram barreiras estruturais para alcançar o serviço exterior.
Composição diversa: turma conta com 17 diplomatas negros, sete pessoas com deficiência, dois indígenas e uma representante quilombola entre os cerca de 60 aprovados no concurso.
Presença feminina: processo seletivo registrou a maior proporção de mulheres da história da instituição, totalizando 45% dos convocados.
Marcelo Kariri: diplomata paraibano é graduado em Engenharia Elétrica, especialista em Negócios Digitais pela Universidade de São Paulo e autor de publicações infantojuvenis.
Idjahure Terena: pesquisador indígena é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo e mestre pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A incorporação dos novos quadros ao Instituto Rio Branco reafirma a importância da ampliação do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, voltado a subsidiar o preparo de candidatos de baixa renda e minorias. Com a formação em andamento até 2028, a turma cumprirá um rigoroso ciclo acadêmico e prático antes de assumir representações em embaixadas e missões internacionais ao redor do mundo.