Uma pesquisa divulgada pelo Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres, lançado neste mês pelo Instituto Natura e pela Avon recetimente chamou atenção por afirmar que 62% dos brasileiros afirmam não ter informação suficiente para ajudar uma
mulher em situação de violência.De acordo com o levantamento, quatro a cada dez brasileiras não reconhecem espontaneamente situações de agressão que já viveram como violência contra a mulher.
Apesar de os casos de violência doméstica estarem cada vez mais em evidência, boa parte dos brasileiros ainda desconhece como agir diante de uma situação de agressão. É o que revela uma pesquisa recente que aponta falhas na informação e na conscientização sobre o tema. Apenas 29% dos participantes demonstraram alto ou muito alto nível de conscientização sobre a violência contra mulheres, enquanto 28% apresentaram níveis baixos ou muito baixos.
O índice considera conhecimento sobre o tema, atitudes diante de casos de agressão e valores relacionados à percepção social do problema.
“A conscientização é parte da solução do problema social que é a violência contra mulheres e meninas”, afirma a superintendente do Instituto Natura, Maria Slemenson. “O índice não é uma pesquisa pontual, mas uma ferramenta perene, um instrumento de acompanhamento da conscientização sobre a violência contra as mulheres, que nos ajuda a compreender se estamos evoluindo enquanto sociedade e a nortear nossas ações para promover transformação social”.
Além disso, o estudo também revelou uma desproporção ntre discurso e prática. Entre as mulheres entrevistadas, 98% afirmaram que tomariam alguma atitude se sofressem violência, especialmente acionar a polícia. No entanto, entre aquelas que de fato passaram por situações de agressão, apenas 73% delas buscaram ajuda, e a maioria o fez de forma privada, sem formalizar denúncia ou acionar as autoridades.
Segundo Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura, o dado mostra que a violência ainda é tratada como um problema doméstico.
“Embora tenhamos a impressão de que este seja um assunto em evidência na sociedade, a maior parte de nossa população não conhece informações fundamentais a respeito das leis e políticas públicas de proteção e apoio. Esse cenário contribui para que a violência contra a mulher, em especial a doméstica, seja mantida na esfera privada, e não tratada como um problema social mais amplo”, afirma.
Apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer que combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de todos, muitos ainda veem o problema como algo “particular”. 96% dos entrevistados reconhecem responsabilidade coletiva diante da violência contra a mulher, mas 60% acreditam que conflitos de casal devem ser resolvidos apenas entre os parceiros, e 15% dizem que não ajudariam por considerar o tema “assunto alheio”.
Como denunciar
Denúncias podem ser realizadas em todo o País, 24 horas por dia e sete dias por semana, de forma anônima por meio da Central de Atendimento à Mulher. Os meios de acionar o serviço são:
Telefone: 180
Classificação Indicativa: Livre