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Publicado em 09/01/2026, às 16h18 Reprodução/SinMed Redação
Familiares de pacientes internados no Hospital Walfredo Gurgel, na capital potiguar, viveram momentos de tensão ao serem alvo de uma tentativa de golpe praticado por um indivíduo que se apresentava como médico e exigia pagamentos para supostos exames urgentes, na última quinta-feira (8).
A direção da unidade confirmou que pelo menos seis tentativas semelhantes foram registradas no mesmo dia, todas realizadas por telefone e WhatsApp, com o golpista solicitando quantias em dinheiro sob a justificativa de acelerar procedimentos.
O criminoso seguia uma estratégia bem definida para convencer as vítimas, entrando em contato com parentes de pacientes, alegando estado grave de saúde e repassando detalhes clínicos para parecer legítimo. Depois disso, informava que o Sistema Único de Saúde não conseguiria realizar o exame a tempo e oferecia a alternativa de contratar o serviço na rede particular mediante pagamento imediato.
Um dos casos relatados foi o de Mara, filha de um paciente internado em estado crítico, que recebeu mensagens por volta das 9h e foi informada de que seu pai estaria na UTI com uma infecção no sangue. Em relato para a TV Ponta Negra, ela contou que o golpista tentou pressioná-la emocionalmente para pagar R$ 4.300, valor que supostamente garantiria rapidez no atendimento.
Ao desconfiar, a família entrou em contato direto com o hospital e constatou que tudo não passava de uma fraude.
Além de conhecer dados pessoais e de saúde dos pacientes, o criminoso demonstrou segurança ao repassar informações, o que inquietou familiares e equipe hospitalar. Mara relatou para emissora que, diante da gravidade do quadro clínico do pai, o pedido poderia ter sido atendido caso a família não tivesse checado com a direção.
O esquema não se limitou aos familiares, já que servidores da unidade também foram abordados. Uma funcionária do setor de faturamento contou que recebeu uma ligação em que o golpista afirmava estar no hospital e pediu confirmação de dados cadastrais de pacientes.
Para convencer, chegou a enviar supostas imagens de sistemas internos, o que quase levou a funcionária a acreditar que se tratava de um profissional da casa. Somente após perceber inconsistências, a servidora identificou o golpe e passou a alertar familiares que chegavam ao hospital, reforçando que o atendimento é totalmente gratuito e que nenhuma cobrança é feita por exames.
O diretor-geral do Hospital Walfredo Gurgel, Geraldo Neto, classificou a situação como grave e alertou para o aumento desse tipo de prática criminosa tanto em unidades públicas quanto privadas.
Ele reafirmou que a instituição funciona exclusivamente pelo SUS, não realiza cobranças e nunca solicita transferências, Pix ou qualquer pagamento de pacientes ou familiares. Qualquer pedido dessa natureza deve ser considerado criminoso.
A administração informou ainda que todas as evidências, incluindo prints e registros de contatos, serão encaminhadas às autoridades policiais para investigação. Caso seja constatado envolvimento interno, o hospital garantiu que adotará punições rigorosas.