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Publicado em 30/01/2026, às 13h10 Reprodução/Polícia Civil do Paraná Giovana Gurgel
Golpistas estão utilizando áudios falsos criados com inteligência artificial para enganar famílias em Cascavel, no oeste do Paraná, e pedir transferências bancárias. As informações começaram a circular nesta quinta-feira (29)
Com poucos segundos de gravação, os criminosos conseguem clonar vozes reais e enviar mensagens convincentes a parentes das vítimas, aumentando significativamente a chance de sucesso do golpe, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR).
A prática representa uma evolução dos golpes virtuais tradicionais, que antes se baseavam majoritariamente em mensagens de texto. Agora, os estelionatários recorrem a recursos de áudio, imagem e até vídeos manipulados para dar aparência de veracidade às abordagens.
As informações foram divulgadas após a polícia confirmar o aumento desse tipo de ocorrência na região e alertar a população sobre os riscos do uso indiscriminado de conteúdos pessoais nas redes sociais.
Um dos casos mais recentes envolve o morador de Cascavel Anderson Guilherme Figueira. Familiares dele receberam mensagens de um número desconhecido, que utilizava sua foto de perfil e informava uma suposta troca de telefone. Logo depois, veio o pedido de pouco mais de R$ 1 mil para o pagamento de uma conta.
Para reforçar a fraude, os golpistas enviaram um áudio que simulava a voz da mãe de Anderson, Angela, confirmando a necessidade da transferência. O material, no entanto, não havia sido gravado por ela.
Segundo Anderson, a avó recebeu a mensagem e ficou convencida da autenticidade do pedido. A semelhança da voz gerou confiança imediata, embora ela não tenha realizado a transferência. Já a mãe da vítima, também contatada pelos criminosos, acreditou se tratar do filho e acabou enviando R$ 250.
De acordo com Anderson, a foto utilizada no golpe foi retirada de uma rede social. A origem do áudio que serviu de base para a clonagem da voz da mãe ainda não foi confirmada, mas a polícia trabalha com a hipótese de que o material tenha sido extraído de vídeos publicados online.
O caso ganhou ainda mais repercussão após Anderson encaminhar à reportagem da Rede Paranaense de Comunicação, afiliada da TV Globo no Paraná (RPC), o áudio falso e uma gravação real para comparação. O conteúdo evidencia o alto grau de semelhança entre as vozes.
Para a Polícia Civil do Paraná, Polícia Civil do Paraná, a internet oferece material suficiente para esse tipo de crime, mesmo sem contato direto entre golpistas e vítimas.
Segundo o delegado Emmanoel David, especializado em estelionato, não é necessário que a pessoa grave algo especificamente para os criminosos. Ele explica que redes sociais concentram vídeos, áudios e imagens capazes de alimentar sistemas de clonagem de voz com facilidade.
A orientação da Polícia Civil do Paraná, Polícia Civil do Paraná, é desconfiar de mensagens que informem troca de número ou solicitem dinheiro com urgência, confirmar a informação por outros meios de contato e evitar manter perfis abertos com grande volume de vídeos e áudios.
A corporação também recomenda registrar boletim de ocorrência, mesmo quando o valor transferido é baixo. Segundo a polícia, os registros ajudam a identificar padrões, conexões entre crimes e possíveis associações criminosas. O boletim pode ser feito de forma online.
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