Geral
Publicado em 31/10/2025, às 11h51 Reprodução/Pexels Marina Gonçalves
Ao longo desta semana, os noticiários e as redes sociais têm destacado a megaoperaçãoque aconteceu no Rio de Janeiro, realizada pelas Polícias Civil e Militar.
A ação teve como alvos os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da cidade, com o objetivo de combater a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Diversas pessoas morreram durante a operação, e fotos dos mortos chegaram a circular nas redes sociais.
De acordo com informações do portal UOL, o que caracteriza o crime é a intenção por trás da publicação das imagens, ou seja, não é qualquer compartilhamento que configura uma ilegalidade.
“O delito acontece em situações em que a intenção é a de profanar um cadáver. A divulgação deve ter um objetivo específico de prejudicar, desrespeitar o morto”, revela Spencer Sydow, vice-presidente da comissão de direito digital da OAB-SP.
Ainda segundo o portal, um exemplo ocorreu em 2023 com André Felipe de Souza Alves Pereira, que foi condenado pelo crime de vilipêndio de cadáver no X, antigo Twitter.
A 2ª Vara Criminal de Santa Maria determinou a condenação após ele compartilhar imagens dos corpos dos cantores Marília Mendonça e Gabriel Diniz.
Entre os crimes previstos em lei, o vilipendio a cadáver é o que mais costuma aparecer nesses casos. Ele está descrito no artigo 212 do Código Penal e se refere a ridicularização de uma pessoa morta. A pena pode variar de um a três anos de prisão, além de multa.
Como a legislação é antiga, de 1940, ela não menciona as redes sociais, e cabe ao juiz decidir se o compartilhamento de imagens se enquadra nesse crime.
Ainda não existe uma lei específica que trate da divulgação de imagens de pessoas mortas nas redes sociais, mas projetos sobre o tema já estão em discussão no Congresso Nacional.
Um deles é o PL 9600/2018, que propõe a inclusão no artigo 20 da Lei 10.046. No entanto, uma das preocupações seria abrir brechas para punir pessoas que registram e compartilham esse tipo de conteúdo para denunciar casos de violência.
Países da América do Sul reforçam segurança nas fronteiras com Brasil após operação no RJ; veja os pronunciamentos
VÍDEO: Polícia do RJ localiza cemitério clandestino usado pelo Comando Vermelho