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Publicado em 20/09/2026, às 10h28 Autor: Lucas Pordeus León/Agência Brasi Ranyere Fonseca
A China reuniu especialistas, pesquisadores e representantes de quase 20 países no município de Chongqing para a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé. O encontro internacional teve como foco debater a relação histórica das populações com as maiores bacias hidrográficas do planeta, estabelecendo paralelos diretos entre o rio Yangtzé e mananciais estratégicos globais, como o Amazonas (América do Sul), o Nilo (África), o Danúbio (Europa) e o Mississippi (Estados Unidos).
A iniciativa integra a estratégia diplomática da "Iniciativa para a Civilização Global", promovida pelo governo chinês para fomentar a cooperação internacional por meio de desafios ambientais comuns. Com 6,3 mil quilômetros de extensão, o Yangtzé é a principal artéria econômica do gigante asiático e conecta o interior do território ao porto de Xangai, enfrentando nas últimas décadas as pressões da rápida industrialização e da urbanização.
A delegação brasileira contou com pesquisadores e cientistas que discutiram o equilíbrio entre desenvolvimento produtivo e conservação biológica, alertando para os riscos da degradação das águas na Amazônia a partir dos erros e acertos acumulados pelo modelo asiático.
Pesquisadores presentes destacaram que o crescimento econômico acelerado da China cobrou um alto preço ambiental, como a extinção declarada em 2006 do golfinho Baiji (espécie nativa do Yangtzé). O cenário forçou o país a instituir o conceito de "civilização ecológica" na Constituição e a banir a pesca comercial no rio por dez anos.
Especialistas brasileiros apontaram paralelos cruciais para a realidade nacional:
Alerta contra o colapso: a professora Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), pontuou que o Brasil deve agir antes de atingir limites críticos, lembrando que todos os mamíferos aquáticos da bacia amazônica já constam sob algum grau de ameaça;
Bioeconomia sustentável: a pesquisadora defendeu investimentos em cadeias que mantenham a mata preservada, como açaí e castanha-do-brasil, em vez de intervenções de alto impacto, a exemplo de dragagens contínuas;
O "caminho do meio": André Pereira Reinnert Tokarski, professor da Unialfa, destacou a urgência de superar a dicotomia entre devastação predatória e isolamento econômico, ressaltando o contrassenso de comunidades ribeirinhas amazônicas viverem com matriz energética fóssil e precária cercadas pela maior bacia de água doce do globo;
Intercâmbio cultural e documental: Uma equipe do Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China (WCICO) esteve no Brasil para rodar o documentário "Quando o Yangtzé encontra o Amazonas", aproximando as vivências das comunidades ribeirinhas de ambos os países.
Arqueologia e história: pesquisas recentes que datam a agricultura do arroz no Yangtzé há quase 10 mil anos foram apresentadas para contrapor visões historiográficas eurocêntricas;
Prevenção climática: especialistas da Universidade de Luxor (Egito) apresentaram técnicas milenares e contemporâneas de medição do rio Nilo para mitigar os impactos de secas severas e inundações;
Governança de bacias: projeção da Rota Econômica do Yangtzé combinada a diretrizes de transição verde e restauração de leitos fluviais degradados.