Geral
Publicado em 05/12/2025, às 16h54 Flávio Bolsonaro - Reprodução/Senado Federal José Nilton Jr.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou, nesta sexta-feira (5), que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar a Presidência da República no próximo ano. A decisão, revelada de maneira inicial pela CNN, foi reafirmada pelo parlamentar em suas redes sociais na tarde desta sexta.
Na publicação, o parlamentar declarou assumir a responsabilidade de levar adiante o projeto político da direita no país e afirmou que se coloca, segundo suas palavras, diante de Deus e do Brasil para cumprir essa missão.
É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação.
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) December 5, 2025
Eu não posso, e não vou, me conformar ao ver o nosso país caminhar por um tempo de… pic.twitter.com/vBvHS7M0hJ
Mesmo com o anúncio feito por Flávio, a escolha não chega em clima de unanimidade. Interlocutores próximos ao ex-presidente Bolsonaro relatam desconforto em setores da direita e também dentro do próprio PL. O incômodo se estende ainda a integrantes da família, incluindo aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que rejeitam a indicação do senador.
O conflito, porém, não começa na escolha de Flávio. A tensão já estava instalada desde o episódio envolvendo o diretório do PL no Ceará, que manifestou apoio à possível candidatura de Ciro Gomes, do PSDB, algo visto como inaceitável por parte dos bolsonaristas.
Leia também
A decisão no Ceará provocou reação imediata de Michelle Bolsonaro, que criticou publicamente o posicionamento da sigla. O gesto da ex-primeira-dama foi interpretado por alguns dirigentes como um movimento de pressão interna e abriu espaço para novas divergências.
Com as críticas de Michelle, a crise se aprofundou. O atrito passou a envolver diretamente os filhos de Jair Bolsonaro, que reagiram às declarações dela e expuseram desentendimentos que, até então, eram contornados nos bastidores.
Além do cenário familiar conturbado, a escolha por Flávio gerou desconforto entre lideranças tradicionais do PL. Parte do partido avalia que o senador não era o nome mais preparado para encabeçar a chapa e teme que a decisão revele fragilidades na estratégia eleitoral do grupo para 2026.
Entre aliados mais antigos de Bolsonaro, circula a percepção de que a indicação de Flávio teria sido precipitada, sobretudo diante do peso político crescente de Michelle e das articulações de outros quadros conservadores interessados no pleito presidencial.