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“Farra do INSS”: Coordenador do PT é apontado pelo Coaf em movimentações milionárias suspeitas

Bimbo é coordenador do Setor Nacional de Tecnologia e Informação do PT. Ele afirmou que não se lembra de ter recebido os pagamentos  |  Ricardo Bimbo - Reprodução/GP1

Publicado em 12/11/2025, às 17h22   Ricardo Bimbo - Reprodução/GP1   José Nilton Jr.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras atípicas envolvendo Ricardo Bimbo, coordenador do Setor Nacional de Tecnologia e Informação do Partido dos Trabalhadores (PT), e a empresa ADS Soluções e Marketing, investigada por participação em um suposto esquema de desvio de recursos destinados a aposentados do INSS. 

De acordo com relatórios de inteligência enviados à CPMI do INSS, a ADS transferiu R$ 120 mil para a conta pessoal de Bimbo e R$ 8,29 milhões para a Datacore, empresa de tecnologia da qual ele é sócio. As operações chamaram a atenção dos órgãos de controle pela frequência e pelo volume dos valores.

As remessas pessoais ocorreram entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, enquanto os repasses à Datacore foram feitos entre agosto de 2023 e julho de 2024, em 22 transações distintas. Desse total, R$ 2,5 milhões foram enviados após Bimbo ingressar oficialmente na sociedade.

Pagamentos e ligações com contador investigado por lavagem de dinheiro

Durante o mesmo período, o coordenador do PT pagou um boleto de R$ 10.354,60 ao contador João Muniz Leite, conhecido por ter sido o responsável pelas finanças de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

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Muniz Leite foi um dos alvos da Operação Fim da Linha, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Após as investigações, o contador deixou de prestar serviços ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bimbo nega lembrar das transações milionárias

Questionado sobre as transferências, Ricardo Bimbo declarou ao portal Metrópoles que não se recorda dos pagamentos recebidos nem dos serviços que teriam sido prestados para justificar os valores milionários.

Bimbo é filiado ao PT desde 1989 e participou da campanha presidencial de Lula em 1998, além de ter ocupado funções estratégicas no partido. Na gestão de Marta Suplicy (2001–2004), em São Paulo, trabalhou ao lado de Rui Falcão, então secretário de Governo.

O nome de Bimbo já havia sido citado em investigações do Ministério Público de São Paulo sobre favorecimento de entidades ligadas a militantes do PT, como o Instituto Florestan Fernandes.

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