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Falta de acesso à saúde empurra milhares de bebês potiguares para o parto prematuro; entenda

Em 2024, 4.281 bebês nasceram prematuros no RN; a Sogorn destaca a importância do pré-natal acessível  |  Reprodução/Freepik

Publicado em 13/11/2025, às 14h20   Reprodução/Freepik   Giovana Gurgel

Estado registra milhares de nascimentos antes do tempo a cada ano; no mês de conscientização, entidade de ginecologistas destaca importância do acesso democrático à rotina pré-natal

No Rio Grande do Norte, 4.281 bebês nasceram prematuros em 2024. Apesar da redução de 18% nos casos em dois anos, a realidade segue alarmante, especialmente fora da capital.

Segundo a Associação de Ginecologia e Obstetrícia do RN (Sogorn), o número ainda poderia cair de forma expressiva se o acesso ao pré-natal fosse garantido de maneira mais ampla e equitativa.

Falta de médicos e distâncias longas agravam o cenário

A desigualdade na assistência médica está entre as principais causas do problema. O ginecologista e obstetra Robinson Dias, presidente da Sogorn, aponta que muitas gestantes ainda enfrentam barreiras que começam pela escassez de profissionais obstetras em municípios menores e chegam à ausência de transporte sanitário adequado.

“Muitas mulheres do interior precisam percorrer longas distâncias até conseguir atendimento, e algumas sequer realizam o número mínimo de consultas recomendadas durante a gestação”, explica o médico.

Outro fator que preocupa é a gravidez precoce, mais comum em áreas rurais e periféricas. Nessas regiões, a gestação frequentemente ocorre sem acompanhamento médico adequado, o que agrava ainda mais os riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.

Rede hospitalar não chega a todas as regiões

O estado dispõe de unidades de referência em Natal, como a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC/UFRN) e o Hospital José Pedro Bezerra, conhecido como Santa Catarina.

No interior, o Hospital Universitário Ana Bezerra, em Santa Cruz, oferece suporte especializado. Ainda assim, a estrutura não é suficiente para cobrir a demanda de gestantes em todo o território potiguar.

Robinson Dias reforça que o enfrentamento da prematuridade exige um sistema de atenção integrado e contínuo.

“A rede deve começar no posto de saúde, seguir pelo pré-natal e, quando necessário, chegar ao hospital de referência. É fundamental que todas as gestantes, independentemente de onde vivam, tenham acesso ao mesmo padrão de cuidado”, conclui.

Conscientização e prevenção

Novembro, tradicionalmente voltado à saúde do homem, também serve como alerta para o tema da prematuridade. A campanha destaca a importância da informação e do acompanhamento médico como estratégias para prevenir complicações.

A Sogorn defende que a democratização do acesso à saúde é a principal ferramenta para reduzir os índices e garantir o nascimento de crianças em condições mais seguras.

Classificação Indicativa: Livre


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