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Publicado em 20/10/2026, às 12h28 Reprodução/DCM José Nilton Jr.
Uma investigação dos dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelou 41,6 mil interações com autoridades e políticos por meio do WhatsApp. De acordo com levantamento da revista piauí em colaboração com o InterSecLab, 71% dessas interações ocorreram com integrantes do antigo governo de Jair Bolsonaro. No total analisado, 90% dos contatos foram com representantes da direita política, 9% com políticos de centro e 1% com integrantes da esquerda.
O levantamento identificou 56 políticos entre os contatos do banqueiro. O material analisado inclui mensagens de texto, áudios, imagens, vídeos e registros de chamadas, embora parte das conversas não tenha sido recuperada porque as mensagens eram temporárias ou haviam sido apagadas.
Os dados foram coletados pela Polícia Federal (PF) em 18 de novembro de 2025, segundo a reportagem, um dia após a primeira prisão de Vorcaro. A frequência das interações chamou atenção para a presença de integrantes de diferentes esferas do poder público na rede de contatos do empresário, mas os registros, isoladamente, não comprovam irregularidades ou envolvimento em crimes.
Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações no governo Bolsonaro, aparece em primeiro lugar no levantamento, com 19,3 mil interações registradas com Vorcaro. Na sequência estão Bruno Bianco, ex-secretário de Previdência e Trabalho, com 4.782 interações, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também foi ministro da Casa Civil, com 3.967 registros.
Em resposta à revista piauí, Faria afirmou que conheceu Vorcaro no fim de 2023, quando já não ocupava cargo no governo federal. Bianco também declarou que o contato com o banqueiro ocorreu depois de deixar a função pública, durante sua atuação profissional como advogado.
Outro nome citado é Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência, que aparece com 1.151 interações. Conforme a reportagem, ele enviou a Vorcaro, em abril de 2025, informações sobre pagamentos de R$ 20 milhões à TV Record e de R$ 3,2 milhões à própria empresa de comunicação.
A reportagem aponta que, em novembro de 2025, Vorcaro pediu que a Record destacasse a solidez do Banco Master após o anúncio de investidores privados. Na mesma noite, o Jornal da Record exibiu uma nota sobre o assunto, e Wajngarten encaminhou o vídeo ao banqueiro.
Wajngarten afirmou que seu trabalho envolvia a distribuição de informações e que havia sido contratado pela defesa de Vorcaro para cuidar da comunicação. Questionado sobre a finalidade do pagamento feito à emissora, ele não apresentou esclarecimentos, segundo a publicação.
As mensagens também incluíram discussões sobre uma proposta legislativa relacionada a regras para socorrer e liquidar instituições financeiras em dificuldades. Em novembro de 2024, o deputado Marcelo Queiroz enviou a Vorcaro uma versão preliminar de um projeto de lei que relatava. O banqueiro compartilhou o documento com advogados, que sugeriram mudanças envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a atuação do Banco Central.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, aparece com 115 interações registradas com Vorcaro. No entanto, os detalhes dessas conversas não estavam disponíveis no material analisado. O parlamentar não comentou o assunto à revista piauí.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve 307 interações identificadas. Segundo a publicação, 94% dos registros já não estavam acessíveis. Moraes encaminhou uma resposta a uma solicitação feita pelo veículo ao Supremo.
A análise também identificou contatos com figuras associadas à esquerda, entre elas os ex-ministros Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e José Dirceu. As interações com esse grupo representam cerca de 1% do total examinado.