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Publicado em 23/02/2026, às 17h10 Reprodução/Rede Salesiana Giovana Gurgel
Pela primeira vez na história, os restos mortais de São Francisco de Assis estão sendo exibidos ao público em geral na cidade de Assis, na Itália. A mostra, aberta neste domingo (22), integra as celebrações pelos 800 anos da morte do santo, considerado padroeiro do país e uma das figuras mais veneradas da Igreja Católica.
A expectativa é de grande movimentação ao longo do mês. Cerca de 400 mil pessoas já reservaram horário para visitar o local, e a estimativa é de que o espaço receba até 15 mil visitantes por dia durante a semana e até 19 mil aos fins de semana.
As relíquias permanecerão expostas até 22 de março, posicionadas diante do altar da igreja inferior da Basílica de São Francisco de Assis, templo erguido em homenagem ao religioso no século XIII.
O esqueleto do santo, morto em 1226, está protegido por uma estrutura de acrílico selada, envolta por um relicário de vidro à prova de balas e de arrombamento. Câmeras de vigilância funcionam 24 horas por dia para garantir a integridade do local.
Segundo o frei Giulio Cesáreo, diretor de comunicação do convento franciscano de Assis, a vedação impede qualquer contato com o ar externo, mantendo as mesmas condições de preservação do túmulo original. Ele assegura que nem mesmo a iluminação discreta da basílica compromete a conservação.
O relicário transparente que abriga os ossos desde 1978 foi retirado no sábado do cofre metálico onde permanecia guardado, na cripta da basílica. O pequeno esqueleto, com o crânio danificado durante a transferência para o templo no século XIII, repousa sobre um pano de seda branca.
Embora o corpo tenha sido levado para a basílica em 1230, o túmulo só foi localizado em 1818, após escavações realizadas com discrição. Desde então, os restos permaneceram protegidos e raramente acessíveis.
A única exibição anterior ocorreu em 1978, restrita a um grupo limitado de pessoas e por apenas um dia. Agora, pela primeira vez, a população em geral pode contemplar as relíquias por um período prolongado.
Para Nicoletta Benolli, de 65 anos, que viajou de Verona até Assis, a experiência é única. Ela afirmou que o momento representa a oportunidade de ver de perto aquilo que considera uma verdade histórica e espiritual.
A exposição também reacende o debate sobre a veneração de relíquias. De acordo com o frei Giulio Cesáreo, desde o período das catacumbas os cristãos veneram os ossos dos mártires e não os associam a algo macabro.
Ele explica que, para os fiéis, o que se honra nas relíquias de um santo é a presença do Espírito Santo e o testemunho de uma vida dedicada integralmente à fé e aos pobres, como ocorreu com o fundador da ordem dos franciscanos.
Também em Assis, no Santuário da Despossessão, estão preservadas as relíquias de Carlo Acutis, adolescente italiano morto em 2006 e canonizado em setembro pelo papa Leão XIV.
As comemorações pelos 800 anos da morte do santo culminarão em 4 de outubro, data em que o Dia de São Francisco de Assis voltará a ser feriado nacional na Itália após quase cinco décadas.
A homenagem também remete ao papa Francisco, falecido em abril de 2025 aos 88 anos, primeiro pontífice a adotar o nome do santo de Assis como símbolo de simplicidade, pobreza e compromisso com os mais vulneráveis.
O evento consolida a relevância histórica e espiritual de São Francisco de Assis, cuja trajetória de renúncia à riqueza e dedicação aos pobres atravessa séculos e continua mobilizando multidões.
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