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Empresa investigada em esquema do INSS fez pagamento milionário a ministra antes da posse

Relatórios do Coaf mostram pagamento à ministra antes de sua posse no STM, levantando questões sobre a legalidade e a origem dos recursos  |  Ricardo Stuckert/PR

Publicado em 12/01/2026, às 18h33   Ricardo Stuckert/PR   Jussier Lucas

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Uma empresa apontada pela Polícia Federal como ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, realizou um pagamento de R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Verônica Abdalla Sterman antes de ela tomar posse no cargo.

A informação consta em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados à CPMI do INSS.

Segundo o relatório, o valor foi pago pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A em uma única parcela, no período analisado entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Verônica Sterman tomou posse no STM após esse intervalo. O pagamento foi destinado diretamente ao escritório de advocacia da ministra, quando ela ainda exercia a profissão.

Os dados do Coaf indicam que a transferência partiu de uma conta da ACX ITC no Banco do Brasil, aberta em São Caetano do Sul (SP). Apenas nos quatro meses analisados, a conta movimentou cerca de R$ 266,6 milhões.

Não foram localizados registros de processos judiciais em que Verônica Sterman tenha atuado em favor da ACX ITC ou de empresas relacionadas ao grupo. Em nota, a ministra informou que os valores se referem à elaboração de três pareceres jurídicos de natureza criminal, solicitados pela empresa quando ela ainda atuava como advogada.

Segundo o posicionamento, os serviços foram contratados formalmente, entregues dentro do prazo e encerrados sem vínculo posterior. Sterman afirmou ainda desconhecer qualquer relação entre a ACX ITC e o empresário conhecido como “Careca do INSS”.

Empresa é investigada por ligação com esquema financeiro

A ACX ITC entrou no radar das investigações após a Polícia Federal apontar a empresa como uma das firmas usadas por Antônio Carlos Camilo Antunes para fragmentar e ocultar a movimentação de recursos.

Segundo a PF, a companhia recebeu ao menos R$ 4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos, empresa apontada como central no esquema atribuído ao empresário.

A quebra de sigilo fiscal da ACX ITC foi autorizada pela CPMI do INSS justamente por ela figurar como destinatária de recursos considerados suspeitos. De acordo com a investigação, a Arpar funcionaria como empresa de passagem, dispersando valores entre diferentes firmas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Fundada em dezembro de 2021, a ACX ITC tem capital social declarado de R$ 101,2 milhões e atua formalmente no setor de tecnologia e investimentos financeiros. A empresa foi aberta por dois empresários paulistas: Ericsson de Azevedo e Erika Nogueira Marques da Costa.

Durante a pandemia, ambos receberam Auxílio Emergencial, e Erika foi beneficiária do Bolsa Família entre 2014 e 2021, período em que constava como detentora de metade do capital da empresa.

Apesar do capital elevado, a presença digital da ACX ITC é limitada. A empresa mantém apenas um perfil em rede social, com publicações interrompidas em abril de 2023, e um site atualmente fora do ar.

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Outros pagamentos e acusações

Além do pagamento à ministra do STM, a ACX ITC também transferiu R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro após sua saída da Corte.

Assim como no caso de Sterman, não há registro público de atuação judicial do ex-ministro em favor da empresa. Em nota, Cordeiro afirmou que os valores se referem a serviços advocatícios prestados.

A empresa também responde a ações judiciais. Em uma delas, a advogada Fernanda Teixeira de Souza, de Florianópolis (SC), afirma ter investido R$ 780 mil na ACX ITC em 2022 e, posteriormente, ter sido impedida de acessar a plataforma da empresa e de resgatar os valores. Na ação, ela sustenta que a empresa integrava o chamado RCX Group, investigado pela CPI das Pirâmides Financeiras em 2023.

Segundo a petição, investidores teriam sido atraídos por promessas de altos rendimentos e pela ostentação dos dirigentes, que exibiam veículos de luxo, imóveis e viagens como forma de transmitir credibilidade.

Classificação Indicativa: Livre


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