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Publicado em 20/06/2026, às 06h00 Cena do vídeo "Missão Cupom Fiscal no Roblox" Anderson Barbosa
A Educação Fiscal tem conquistado espaço nas escolas potiguares como ferramenta de formação cidadã. Mas a tarefa não é fácil. O desafio só cresce. Alcançar parcelas cada vez maiores da população é o desejo principal. A avaliação é da professora Vanezia Luz, representante da Educação Fiscal na Secretaria da Educação do Rio Grande do Norte (SEEC). Servidora pública, ela também é vice-presidente do Grupo Estadual de Educação Fiscal (GEFE-RN).
Embora o programa tenha sido estruturado há quase três décadas, Vanezia destaca que a expansão das ações ocorreu de forma gradual e ainda não atingiu o alcance desejado. A professora acredita que mais de 100 mil alunos e educadores já tenham apreendido sobre a educação fiscal no Rio Grande do Norte. Porém, a meta é expandir ainda mais o conhecimento.
O Rio Grande do Norte foi pioneiro na implementação da temática. A iniciativa surgiu em 1997, ainda sob o nome de Educação Tributária, por meio da então Secretaria de Tributação do Estado, antes da criação da atual Secretaria da Fazenda (SEFAZ-RN).
“A Educação Fiscal é uma política pública de Estado que precisa estar mais presente no cotidiano das pessoas. Quando falamos sobre o tema, estamos falando de cidadania, ética, transparência e participação social”, afirma.
Neste ano, a Educação Fiscal celebra 30 anos de atuação em nível nacional. Além de integrar o Grupo Estadual de Educação Fiscal, Vanezia também participa do Grupo Nacional de Educação Fiscal, que reúne representantes de diversos estados para discutir legislação, orientações pedagógicas e estratégias de fortalecimento do programa.
A parceria entre a Secretaria da Fazenda e a Secretaria da Educação tem sido fundamental para levar a temática às escolas. Desde 2017, quando passou a integrar oficialmente o grupo estadual, a educadora participa de ações voltadas à mobilização de gestores, professores e demais profissionais da educação.
Uma das principais estratégias adotadas nos últimos anos tem sido a oferta de cursos de formação continuada. As capacitações, realizadas em ambiente virtual, têm o objetivo de apresentar os conceitos da Educação Fiscal e mostrar como eles podem ser trabalhados em sala de aula.
“O desafio de disseminar a temática ainda é grande. Por isso, buscamos oferecer formações e materiais que auxiliem os educadores a inserir esses conteúdos no processo de ensino-aprendizagem”, explica.
Atualmente, a rede estadual conta com cursos disponibilizados por meio de uma plataforma nacional de Educação Fiscal e hospedados também no ambiente virtual da Secretaria de Educação. No ano passado, a formação foi ofertada de forma online para profissionais da rede, abordando metodologias e possibilidades de aplicação dos conteúdos nas diferentes áreas do conhecimento.
Para a professora, a Educação Fiscal vai muito além da discussão sobre tributos. O tema envolve cidadania, combate à corrupção, controle social, combate à sonegação e acompanhamento da aplicação dos recursos públicos. Por essa razão, a abordagem pode ser desenvolvida em diferentes etapas da educação básica.
“Não existe uma modalidade ou faixa etária em que a Educação Fiscal não possa ser trabalhada. O importante é adaptar a linguagem e as atividades à realidade de cada público”, destaca.
Embora as ações possam alcançar escolas públicas e privadas, o foco do trabalho desenvolvido pelo Grupo Estadual de Educação Fiscal tem sido a rede pública de ensino, por meio de visitas técnicas, orientações pedagógicas e atividades de assessoramento às unidades escolares.
A expectativa dos gestores do programa é ampliar cada vez mais a participação das escolas e fortalecer a cultura da cidadania fiscal no Rio Grande do Norte, contribuindo para a formação de estudantes mais conscientes sobre seus direitos, deveres e o papel dos tributos na sociedade.
Embora tenha forte presença na educação básica, a Educação Fiscal também está presente em instituições de ensino superior e em espaços de formação profissional, ampliando o alcance da política pública no Rio Grande do Norte.
De acordo com a professora Vanezia Luz, a abrangência da temática vai além das escolas e já integra a estrutura curricular de algumas instituições de ensino superior. Um dos exemplos é a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que possui disciplina relacionada à Educação Fiscal no curso de Ciências Contábeis, contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes sobre cidadania fiscal, gestão pública e controle social.
Outro exemplo citado pela educadora é o Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (IFESP), onde a Educação Fiscal também integra a grade curricular de cursos de formação. Segundo ela, a iniciativa tem um alcance ainda maior por atingir professores da rede pública estadual e municipal que buscam qualificação profissional na instituição.
Desde que passou a representar o programa na Secretaria Estadual de Educação, em 2017, Vanezia afirma que o trabalho de divulgação e formação vem alcançando um número expressivo de profissionais e estudantes.
Estimativas do Grupo Estadual de Educação Fiscal apontam que aproximadamente 100 mil estudantes já foram impactados pelas ações desenvolvidas ao longo dos últimos anos na rede pública de ensino.
O alcance da iniciativa pode ser observado nos próprios projetos desenvolvidos pelas escolas. Em alguns casos, uma única unidade de ensino conseguiu envolver centenas de alunos em atividades relacionadas à cidadania fiscal, arrecadação tributária, combate à corrupção e acompanhamento dos gastos públicos.
Apesar do destaque das escolas estaduais, a Educação Fiscal também vem ganhando espaço nas redes municipais e em outras instituições. Na edição passada do Prêmio Estadual de Educação Fiscal, por exemplo, a Prefeitura de Brejinho conquistou o primeiro lugar na categoria Instituições com um projeto voltado à temática. Já a UFRN também participou da iniciativa com ações desenvolvidas na área de Educação Fiscal.
A expectativa para este ano é ampliar ainda mais a participação dos municípios e fortalecer a presença do tema em diferentes espaços educacionais.
“A Educação Fiscal não acontece apenas dentro das escolas. Ela pode ser trabalhada em universidades, órgãos públicos, instituições e em qualquer ambiente que promova cidadania e participação social”, destaca Vanezia Luz.
Com a ampliação das ações e o crescimento do interesse pelo tema, a expectativa dos organizadores é que um número ainda maior de estudantes, educadores e instituições seja alcançado pelas iniciativas de Educação Fiscal nos próximos anos.
O segredo para mais investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação, pode estar em um gesto simples do dia a dia: pedir o cupom fiscal. Em Caicó, na região Seridó potiguar, essa mensagem ganhou uma abordagem diferente no olhar de um garoto de 12 anos.
Essa era a idade de Guilherme Simahs Linhares dos Santos no ano passado, então estudante do 7º ano da Escola Estadual Padre Edmund Kagerer. Autista, ele tem hiperfoco em jogos digitais. Ele ama o Roblox (plataforma global de jogos online e de criação de universos virtuais). E foi a partir desta inspiração que nasceu o projeto “Missão Cupom Fiscal no Roblox”, um vídeo (veja abaixo) que reúne tecnologia, criatividade e cidadania.
A animação apresenta uma explicação didática sobre a educação fiscal. E tudo acontece dentro de um ambiente virtual. Dois personagens, Lia e Gui, deixam uma loja em Caicó quando surge a pergunta que conduz toda a narrativa: “Cadê o cupom fiscal?”.
É quando o documento fiscal surge como um comprovante de que os impostos foram pagos corretamente. Para facilitar a compreensão, os personagens comparam a arrecadação de tributos a um sistema de “moedas” que a cidade recebe para investir em melhorias. A analogia é simples, mas capaz de transformar um tema considerado complexo em algo bastante intuitivo, especialmente para o público jovem.
E o ator principal dessa história, o Guilherme, o que ele diz (veja vídeo abaixo)?
"Surgiu, surgindo, né? Para que serve a nota fiscal? Para ganhar moedas e pontos dentro do jogo, entendeu? Quando você tira, você ganha itens, skins, essas coisas. É tipo igual o que tem no Roblox, entendeu? É tipo isso", falou.
Sobre o jogo, Guilherme, como funciona? "Bom, o jogo começa assim: você abre o Roblox e entra no jogo. E tira a nota fiscal. Quando você tira, você ganha moedas, que são os pontos. E vai acumulando. Quanto mais nota fiscal você tira, todo mundo ganha", explicou, todo orgulhoso.
O projeto também evidencia o potencial da inclusão no ambiente escolar. Ao valorizar as habilidades específicas de Guilherme, os professores contribuíram para o desenvolvimento de um trabalho que ultrapassa os limites da sala de aula. Mais do que um recurso pedagógico, o uso do Roblox permitiu ao aluno assumir o protagonismo no processo de aprendizagem, utilizando uma linguagem com a qual tem familiaridade para comunicar uma mensagem de interesse coletivo.
O resultado do trabalho foi além das expectativas. O projeto “Missão Cupom Fiscal no Roblox” foi selecionado entre os 12 melhores no Prêmio Estadual de Educação Fiscal de 2025. "O reconhecimento reforça a importância de metodologias inovadoras e do uso de tecnologias digitais na educação, especialmente quando aliadas à valorização das potencialidades individuais dos estudantes.
"A experiência de Guilherme mostra que a educação pode ser mais dinâmica, inclusiva e conectada com a realidade dos alunos. Ao transformar um conceito técnico em uma narrativa simples e visual, ele conseguiu não apenas aprender, mas também ensinar", destacou a professora Vanezia Luz.
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