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Doação de corpos fortalece ensino e pesquisa na UFRN

Entenda como a doação de corpos ajuda na formação de profissionais da saúde e avança pesquisas na UFRN. Saiba como se inscrever para ser doador  |  Reprodução/Site Doação de Corpos UFRN

Publicado em 23/07/2026, às 14h53   Reprodução/Site Doação de Corpos UFRN   Giovana Gurgel

A doação voluntária de corpos têm desempenhado um papel fundamental na formação de profissionais da saúde e no avanço das pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Embora o número de pessoas cadastradas como doadoras tenha crescido nos últimos anos, a universidade ainda busca ampliar a conscientização sobre o tema e incentivar que mais pessoas manifestem esse desejo em vida e conversem sobre a decisão com seus familiares.

De acordo com o coordenador do Programa de Doação de Corpos da UFRN, professor Expedito Nascimento, o processo para se tornar doador é simples, gratuito e acessível a qualquer pessoa interessada em contribuir com a ciência.

"O interessado deve preencher o Termo de Declaração de Doação em Vida, disponível no site do Programa de Doação de Corpos da UFRN, anexar um documento oficial de identificação e encaminhar a documentação pelo próprio site, por e-mail, pessoalmente ou pelos Correios", explica.

Segundo o professor, os requisitos são mínimos. "É necessário ser maior de 18 anos, ou contar com autorização dos responsáveis legais no caso de menores, e manifestar livremente essa vontade. Não existe limite de idade nem contraindicação relacionada a doenças para o cadastro como doador."

Apesar da formalização do desejo por meio do documento, o docente destaca que o diálogo com a família é indispensável. "Tão importante quanto o preenchimento do termo é conversar com a família sobre essa decisão. Embora o documento registre formalmente a vontade do doador, a participação dos familiares é fundamental para que o desejo seja efetivamente concretizado após o falecimento", ressalta.

Expedito Nascimento, professor do Departamento de Morfologia e coordenador do Programa

Formação de profissionais e avanço da ciência

Para o coordenador, a doação de corpos representa uma contribuição indispensável para o ensino e a pesquisa. "A doação de corpos representa um dos maiores gestos de solidariedade em favor da educação e da ciência. O corpo humano continua sendo o recurso didático mais completo para o ensino da Anatomia, permitindo que estudantes compreendam a organização tridimensional do organismo, reconheçam variações anatômicas naturais e desenvolvam habilidades que não podem ser plenamente reproduzidas por modelos artificiais ou recursos digitais."

Na UFRN, os corpos doados são utilizados na formação de estudantes de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Biomedicina e outros cursos da área da saúde. Além das atividades de graduação, também são empregados em programas de pós-graduação, treinamento de técnicas cirúrgicas, desenvolvimento de novas tecnologias e pesquisas científicas.

"Esse conhecimento se traduz diretamente em profissionais mais preparados para oferecer um atendimento mais seguro e qualificado à população", afirma Expedito.

Ele também reforça que todo o trabalho é realizado com respeito e responsabilidade. "Todo o processo ocorre dentro de rigorosos princípios éticos. Os corpos são tratados com absoluto respeito, dignidade e gratidão, sendo considerados pelos estudantes como seus primeiros pacientes. O Programa também promove ações de valorização da memória dos doadores e de acolhimento às famílias."

Reprodução/Site Doação de Corpos UFRN

Reprodução/Site Doação de Corpos UFRN

Crescimento das doações, mas desafios permanecem

Nos últimos anos, o Programa de Doação de Corpos da UFRN registrou aumento no número de pessoas cadastradas, reflexo das ações de divulgação e da maior conscientização da sociedade sobre a importância desse gesto.

"Esse crescimento representa um avanço significativo em relação ao cenário de pouco mais de uma década atrás, quando a universidade enfrentava dificuldades para manter suas atividades práticas por falta de corpos destinados ao ensino", destaca o coordenador.

Apesar desse avanço, a necessidade de novos doadores continua. "As universidades formam milhares de profissionais da saúde ao longo dos anos e a demanda por material anatômico de qualidade é permanente, especialmente para atividades de ensino, treinamento e pesquisa."

Para o professor Expedito, o maior obstáculo ainda é a falta de informação. "Muitas pessoas desconhecem que a doação de corpos é prevista em lei, que pode coexistir com a doação de órgãos para transplante, que não gera custos para a família e que todo o processo é conduzido com profundo respeito à dignidade humana."

Ele ressalta ainda a importância do diálogo entre familiares para que a vontade do doador seja respeitada. "À medida que essas informações chegam à população, observa-se uma aceitação cada vez maior da doação de corpos como um ato de cidadania, solidariedade e compromisso com o avanço da ciência e da saúde."

Confira o site do Programa de Doação de Corpos da UFRN.

Reprodução/Site Doação de Corpos UFRN

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