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Publicado em 15/08/2026, às 18h15 Foto: reprodução internet/redes sociais Ranyere Fonseca
Um caso registrado no município de Contagem acendeu o alerta de pais e profissionais da saúde para uma manifestação atípica de problemas neurológicos. A pequena Eduarda Silveira, de 9 anos, apresentou um episódio ininterrupto de riso involuntário que durou cerca de quatro horas, levando a família a buscar atendimento médico de urgência no Hospital Municipal da cidade.
No hospital, pediatras levantaram a suspeita de crise gelástica, um tipo raro de crise epiléptica caracterizada por acessos repentinos e incontroláveis de riso ou sorriso. A mãe da menina, Aline Barbosa, gravou trechos da reação da filha para alertar outros pais sobre o sintoma; a publicação viralizou nas redes sociais e já ultrapassa 7 milhões de visualizações.
Apesar do diagnóstico inicial no pronto-socorro, especialistas reforçam que o enquadramento de uma crise gelástica exige investigação neurológica aprofundada. Segundo a médica Ana Paula Gonçalves, presidente da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), um episódio isolado não basta para confirmar o quadro de epilepsia.
"Um dos critérios para o diagnóstico de epilepsia é a recorrência de casos. São necessárias pelo menos duas crises para pensarmos em um diagnóstico de fato. Além disso, a tomografia não é o exame mais indicado nessa situação; o ideal é confirmar por meio de um eletroencefalograma ou vídeo-eletroencefalograma", orienta a neurologista.
As crises gelásticas estão frequentemente associadas a lesões benignas na base do cérebro, como o hamartoma hipotalâmico, ou a alterações no lobo temporal. Embora o episódio isolado não ofereça risco iminente de morte, médicos recomendam o acompanhamento contínuo para monitorar a saúde neurológica e evitar prejuízos ao desenvolvimento infantil.