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Publicado em 01/09/2026, às 19h42 Freepik Jussier Lucas
O número de diagnósticos de câncer de início precoce aumentou 79,1% no mundo entre 1990 e 2019, segundo um estudo publicado na BMJ Oncology. A pesquisa analisou dados de 29 tipos de câncer em 204 países e territórios e identificou avanço da incidência entre pessoas mais jovens.
Entre os tumores que apresentaram maior crescimento estão os cânceres colorretal, de tireoide, fígado, rim, pâncreas, endométrio, mama e ovário. Apesar do avanço observado, o câncer continua sendo mais frequente com o envelhecimento.
O cenário tem chamado a atenção de especialistas porque alguns tipos de tumores passaram a apresentar mudanças no comportamento epidemiológico, com aumento da incidência entre pessoas mais jovens. A avaliação é que o fenômeno exige acompanhamento e novas investigações científicas.
Um dos desafios apontados por especialistas é a percepção de risco entre os jovens. Como o câncer é menos frequente nessa faixa etária, alterações na saúde podem ser atribuídas inicialmente a condições menos graves.
Segundo Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas&Co, a persistência ou piora de um sintoma deve servir como sinal para uma nova avaliação médica.
A especialista destaca que o fato de o câncer ser menos comum entre pessoas jovens não significa que a doença seja impossível nessa faixa etária. Por isso, alterações persistentes, sem explicação adequada ou que apresentem piora, podem exigir investigação complementar.
No Brasil, um estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), realizado em duas regiões do estado de São Paulo, também identificou a relevância dos tumores entre adultos jovens de 20 a 39 anos. Entre os principais tipos registrados estão os cânceres de mama, colo do útero e colorretal.
A pesquisa apontou ainda diferenças de impacto entre homens e mulheres. Em São Paulo e Barretos, o câncer representou 20,7% e 17,4%, respectivamente, das mortes entre mulheres. Entre os homens, a doença respondeu por 5,3% das mortes em São Paulo e 5,8% em Barretos.
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O estudo internacional também avaliou fatores associados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo de álcool, alimentação e falta de atividade física. O consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas adoçadas durante a infância também foi considerado na análise.
No entanto, a presença desses fatores não significa que eles sejam responsáveis individualmente pelo aumento observado. A relação entre câncer e seus fatores de risco é complexa e varia de acordo com o tipo de tumor.
De acordo com orientações do Ministério da Saúde, não fumar é uma das principais medidas para reduzir o risco de tumores associados ao tabaco, como os de pulmão, laringe, faringe e esôfago.
Também fazem parte das medidas de prevenção a adoção de alimentação saudável, a prática regular de atividade física, a manutenção de peso adequado e a proteção contra a exposição excessiva ao sol.
A vacinação contra hepatite B e HPV também contribui para a prevenção de determinados tipos de câncer. Além disso, exames e acompanhamento médico são importantes para a identificação de alterações que necessitem de investigação.
O avanço dos diagnósticos entre os mais jovens reforça a necessidade de atenção aos sinais persistentes e de acompanhamento médico adequado, sem que a população tente estabelecer diagnósticos por conta própria.