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Publicado em 14/10/2026, às 12h17 Foto: Reprodução Giovana Gurgel
O diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV, de 71 anos, chama a atenção para o tipo mais comum de câncer de pulmão, que também afeta pessoas que nunca fumaram.
A doença foi identificada em um nódulo detectado durante exames de rotina, e o pontífice passou por uma cirurgia em Roma para a retirada do lobo inferior do pulmão direito, segundo informações divulgadas pelo Vaticano nesta terça-feira (13). A oncologista potiguar Danielli Matias explica os sintomas, os tratamentos e a importância do diagnóstico precoce.
O adenocarcinoma se desenvolve nas células glandulares que revestem os pulmões e representa a maioria dos casos de câncer pulmonar. No Brasil, são estimados cerca de 31 mil novos casos da doença por ano.
De acordo com Danielli Matias, o tumor pode acometer tanto fumantes quanto pessoas que nunca tiveram contato com o cigarro.
“Ele acomete pacientes tabagistas e não tabagistas, e também é o mais comum entre quem nunca fumou”, afirma.
A médica destaca que o adenocarcinoma está frequentemente relacionado a alterações moleculares e pode responder a tratamentos específicos, como terapias-alvo e imunoterapia. Apesar dos avanços, ela alerta que o câncer de pulmão continua sendo uma doença agressiva.
Tosse persistente, falta de ar e dor no peito estão entre os sintomas que podem indicar a doença. Como essas manifestações também aparecem em problemas respiratórios comuns, o câncer pode passar despercebido nos estágios iniciais. A presença de sangue na tosse é menos frequente, enquanto a perda de peso costuma estar associada a quadros mais avançados.
Segundo Danielli Matias, aproximadamente 80% dos casos de câncer de pulmão no Brasil são identificados em fases avançadas.
“Quando o câncer de pulmão dá sintomas, muitas vezes ele já está em um estágio mais avançado”, explica.
Para identificar a doença antes do aparecimento dos sinais clínicos, a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação é uma ferramenta importante para grupos de maior risco. A recomendação de rastreamento deve considerar fatores como idade, histórico de tabagismo e exposição a agentes nocivos.
A avaliação de pessoas que nunca fumaram, mas apresentam histórico familiar da doença, exposição ocupacional ou contato com poluentes, também vem ganhando espaço na investigação científica. A oncologista afirma que estudos clínicos com pacientes não tabagistas devem começar no Brasil para ampliar o conhecimento sobre os fatores de risco nesse grupo.
Quando o tumor é pequeno e está restrito ao pulmão, a cirurgia pode ser suficiente para o tratamento. Lesões geralmente menores que quatro centímetros, sem sinais de disseminação, podem ter indicação cirúrgica, como ocorreu no caso do papa Leão XIV.
A necessidade de terapias complementares depende das características do tumor e dos resultados da avaliação médica. Quando há comprometimento da pleura ou de linfonodos no mediastino, por exemplo, o tratamento pode incluir quimioterapia e, em determinadas situações, imunoterapia.
As chances de cura estão diretamente relacionadas ao estágio em que a doença é descoberta. Pacientes com tumores localizados e completamente retirados por cirurgia apresentam perspectivas mais favoráveis, segundo a especialista.
“Quanto mais precoce, maiores as chances. Pacientes com doença localizada e totalmente ressecada com cirurgia têm possibilidade de cura muito maior”, afirma Danielli Matias.
Mesmo nos quadros avançados, os tratamentos disponíveis podem proporcionar controle prolongado da doença. A oncologista relata casos de pacientes que receberam imunoterapia e permanecem há mais de três anos sem sinais de atividade do câncer, em acompanhamento médico.
A retirada do tumor não significa que todos os pacientes precisarão passar por novas etapas de tratamento. A indicação de terapia adjuvante, realizada após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência, depende dos resultados anatomopatológicos e da avaliação individual de cada caso.
O acompanhamento costuma envolver o oncologista e o cirurgião, com exames periódicos para monitorar a recuperação e identificar possíveis sinais de retorno da doença. Entre os procedimentos utilizados está a tomografia computadorizada de tórax com contraste, que pode ser realizada a cada quatro a seis meses, conforme a recomendação médica.
A orientação da especialista é que pessoas com fatores de risco procurem avaliação profissional e discutam a necessidade de rastreamento, já que a identificação precoce continua sendo uma das principais estratégias para ampliar as possibilidades de tratamento e cura.