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Publicado em 17/07/2026, às 12h27 Reprodução/Magnific Giovana Gurgel
Mesmo durante as férias de julho, muitos trabalhadores não conseguem relaxar ou se desconectar das demandas profissionais. Um levantamento do Relatório Global de Bem-Estar no Trabalho 2024, elaborado pelo Indeed, aponta que quase 60% dos profissionais convivem com estresse na maior parte do tempo, enquanto grande parte não busca ajuda nem comunica as dificuldades enfrentadas. Para especialistas, esse comportamento pode estar relacionado ao chamado burnout silencioso, quadro que compromete a recuperação física e mental.
Os dados também mostram que 78% dos entrevistados afirmam não estar prosperando profissionalmente. O estudo avaliou fatores como felicidade, satisfação, propósito e baixos níveis de estresse. No Brasil, o estresse aparece como o indicador de pior desempenho entre os quatro critérios analisados.
Segundo Helington Costa, coordenador do curso de Psicologia da Estácio, a cultura da produtividade permanente faz com que muitas pessoas sintam culpa ao descansar. De acordo com ele, responder mensagens fora do expediente, atender demandas durante as férias e permanecer disponível o tempo todo passaram a ser comportamentos vistos como normais, dificultando o desligamento do trabalho.
O especialista explica que a incapacidade de interromper o ritmo intenso mantém o organismo em estado constante de alerta. Como consequência, o cérebro não consegue alternar adequadamente entre períodos de atividade e recuperação, favorecendo a produção contínua de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol.
Nesse contexto, pode surgir o chamado burnout silencioso, caracterizado pelo desgaste emocional progressivo que muitas vezes não é percebido pela própria pessoa. Helington Costa afirma que o indivíduo tende a encarar o cansaço como algo comum e continua desempenhando suas atividades até que sintomas físicos, emocionais ou cognitivos se tornem evidentes.
Entre os principais sinais de alerta estão o cansaço persistente, a dificuldade de concentração, a irritabilidade e a perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas. Outro indicativo importante, segundo o psicólogo, é quando a rotina passa a ser dominada exclusivamente pelas obrigações, sem espaço para momentos de bem-estar.
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Para o coordenador, evitar o burnout não depende apenas de iniciativas individuais. Embora hábitos de autocuidado sejam importantes, eles têm alcance limitado quando o ambiente profissional impõe jornadas excessivas, metas difíceis de cumprir e disponibilidade constante.
Helington Costa destaca que organizações que respeitam horários, distribuem melhor as demandas, incentivam pausas e reconhecem os limites dos trabalhadores contribuem para reduzir o risco de adoecimento emocional e favorecem ambientes mais saudáveis.
O especialista também reforça a importância da intervenção precoce. Segundo ele, muitas pessoas só procuram acompanhamento psicológico quando já não conseguem exercer suas atividades profissionais. No entanto, ao perceber sinais como cansaço constante, dificuldade para descansar, irritabilidade, perda de prazer nas atividades ou sensação de que a vida gira apenas em torno do trabalho, a recomendação é buscar avaliação psicológica. A psicoterapia, conclui, pode atuar tanto no tratamento quanto na prevenção do agravamento do quadro.