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Publicado em 01/12/2025, às 17h07 De acordo com os pesquisadores, a obesidade central causa mudanças nocivas que superam até os efeitos do excesso de peso total - Reprodução/ThamKC José Nilton Jr.
A chamada gordura abdominal, popularmente conhecida como “barriga de chopp”, está associada a lesões estruturais no coração e pode ser ainda mais perigosa entre os homens. A conclusão faz parte de um estudo apresentado durante a conferência anual da Sociedade Radiológica da América do Norte, realizada em Chicago, nos Estados Unidos.
De acordo com os pesquisadores, a obesidade central causa mudanças nocivas que superam até os efeitos do excesso de peso total. Segundo especialistas, a presença de gordura na região abdominal pode desencadear um padrão de remodelação cardíaca chamado hipertrofia concêntrica, condição na qual o músculo cardíaco se torna mais espesso sem aumentar o tamanho do órgão.
Essa alteração reduz o volume das câmaras internas e compromete a capacidade do coração de relaxar, bombear e armazenar sangue. Pesquisadores envolvidos no estudo afirmam que esse processo pode evoluir para insuficiência cardíaca caso não seja identificado precocemente.
A investigação avaliou 2.244 adultos entre 46 e 78 anos de idade, todos sem diagnóstico prévio de doenças cardíacas, dos quais 43% eram mulheres. Os participantes foram submetidos a exames de ressonância magnética cardiovascular, além de análises de IMC (Índice de Massa Corporal) e da proporção cintura-quadril, indicador clássico de obesidade abdominal.
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Levando em consideração o IMC, 69% dos homens e 56% das mulheres foram classificados como acima do peso ou obesos. Já pela proporção cintura-quadril, os números foram ainda mais expressivos: 91% dos homens e 64% das mulheres atendiam aos critérios de obesidade estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde.
Os resultados também apontaram que a gordura central estava ligada ao espessamento do músculo cardíaco e à redução do volume das câmaras, especialmente entre os homens. As alterações eram mais evidentes no ventrículo direito, responsável por enviar sangue aos pulmões.
Os autores sugerem que o acúmulo de gordura abdominal pode gerar um estresse cardíaco inicial, influenciando a respiração e pressionando os pulmões. Entre os homens, também foram identificadas alterações sutis no tecido cardíaco detectáveis apenas com ressonância magnética avançada, indicando que o impacto pode ocorrer antes mesmo do surgimento de sintomas.
As diferenças entre os sexos podem estar relacionadas ao início mais precoce da obesidade abdominal nos homens ou aos efeitos protetores do estrogênio nas mulheres.