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Publicado em 22/05/2026, às 13h50 © Marcelo Camargo/Agência Brasil Giovana Gurgel
A arrecadação federal atingiu R$ 278,8 bilhões em abril e registrou o maior valor da série histórica para o mês desde 1995, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (21) pela Receita Federal. O resultado representa crescimento real de 7,82% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado pelo avanço do emprego formal, alta nos lucros empresariais e forte expansão das receitas do setor de petróleo e gás natural.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o governo federal arrecadou R$ 1,05 trilhão, resultado também recorde para o período. Na comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado, houve aumento real de 5,41%, já descontada a inflação.
De acordo com a Receita Federal, o desempenho positivo foi sustentado principalmente pela expansão da massa salarial e pelo crescimento das contribuições previdenciárias. A arrecadação ligada à Previdência Social alcançou R$ 62,7 bilhões em abril, com alta real de 4,83%.
Segundo o órgão, a massa salarial cresceu 3,61% em março na comparação anual, elevando automaticamente o recolhimento das contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também houve avanço de 9,18% na arrecadação previdenciária vinculada ao Simples Nacional.
As receitas relacionadas ao consumo também contribuíram para o desempenho fiscal, especialmente por meio do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A Receita Federal destacou ainda os efeitos da reoneração gradual da folha de pagamentos de setores da economia e da retomada da contribuição patronal dos municípios desde janeiro de 2025.
Outro fator que ajudou a elevar a arrecadação foi o aumento da tributação sobre investimentos financeiros. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital somou R$ 13,2 bilhões em abril, com crescimento real de 25,45% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A Receita Federal informou que o avanço do IRRF foi impulsionado principalmente pela ampliação da tributação sobre aplicações de renda fixa e pelo crescimento das receitas com Juros sobre Capital Próprio (JCP), mecanismo utilizado por empresas para remunerar acionistas. Apenas a arrecadação ligada ao JCP avançou 94,74% no período.
Já a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) totalizou R$ 64,8 bilhões em abril, registrando alta real de 7,73%. Segundo o Fisco, o resultado reflete o aumento do lucro tributável das empresas enquadradas nos regimes de estimativa mensal, lucro presumido e balanço trimestral.
O principal destaque do mês veio do setor de petróleo e gás natural. A arrecadação relacionada a tributos e royalties da atividade disparou 541% em abril, alcançando R$ 11,4 bilhões. No acumulado do ano, a alta chega a 264%, com receitas totais de R$ 40,2 bilhões.
Segundo a Receita Federal, o crescimento das receitas do setor petrolífero foi impulsionado pela valorização internacional do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e à guerra envolvendo o Irã. Com o barril em patamares mais elevados, empresas do segmento ampliaram seus lucros e, consequentemente, aumentaram o recolhimento de impostos e royalties.
O órgão também apontou impacto positivo do aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em operações cambiais, medida implementada em 2025, além das mudanças realizadas no ano passado na tributação de aplicações financeiras.
A Receita Federal avalia que o resultado reforça o cenário de crescimento da atividade econômica e da recuperação das receitas administradas pela União ao longo de 2026.
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