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Alento no sertão: volume da Barragem de Oiticica dobra e ultrapassa 200 milhões de m³ após chuvas

A Barragem de Oiticica, em Jucurutu, viu seu volume dobrar, mas outras barragens ainda requerem monitoramento cauteloso.  |  Foto: reprodução internet/IGARN

Publicado em 07/03/2026, às 13h50   Foto: reprodução internet/IGARN   Ranyere Fonseca

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As chuvas que atingiram o interior do Rio Grande do Norte desde a segunda quinzena de fevereiro trouxeram um alívio histórico para o sistema hídrico do estado. Segundo dados do Instituto de Gestão de Águas (Igarn), a Barragem de Oiticica, em Jucurutu, viu seu volume dobrar em poucos dias, alcançando a marca de 214,1 milhões de metros cúbicos (28,8% de sua capacidade total).

A recarga chega em um momento crítico, no qual 75 cidades potiguares enfrentam situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil devido à seca extrema. No total, os 69 reservatórios monitorados pelo Governo do Estado receberam um aporte de 100 milhões de m³ de água nas últimas duas semanas, beneficiando diretamente 40 mananciais públicos.

Cenário nas grandes barragens

Apesar da festa em Oiticica, o monitoramento das maiores reservas do RN ainda exige cautela. A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, em Itajá — maior do estado e responsável por abastecer 500 mil pessoas —, não apresentou elevação significativa e segue abaixo de 1 bilhão de m³ (atualmente com 997,6 milhões).

Situação dos principais reservatórios (Março/2026)

Transposição

Com as reservas hídricas totais do RN em apenas 39% da capacidade, o Igarn já planeja solicitar uma nova cota das águas da Transposição do Rio São Francisco. A previsão é que Oiticica receba mais 93 milhões de m³ do Projeto de Integração do São Francisco (PISF) ainda este ano para garantir a segurança hídrica.

"As chuvas foram maravilhosas em algumas regiões. Riachos voltaram a correr e pequenos açudes encheram, garantindo água para os animais e para o campo", comemora Procópio Lucena, diretor-presidente do Igarn. Em Serra Negra do Norte, por exemplo, o abastecimento da cidade foi restabelecido após a cheia de um complexo de 10 barragens no Rio Espinharas.

Esperança no outono

Mesmo com o otimismo gerado pelas chuvas recentes, o Governo do RN mantém o estado de alerta. A expectativa agora recai sobre os meses de março e abril, historicamente os mais chuvosos no semiárido, fundamentais para garantir que os grandes reservatórios suportem o segundo semestre, quando o período de estiagem é mais severo.

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