Esportes
Publicado em 05/03/2026, às 13h15 Reprodução/Internet Giovana Gurgel
O Sport Club Corinthians Paulista voltou ao centro de uma crise fora de campo após a revelação de movimentações financeiras suspeitas envolvendo milhões de reais pagos em dinheiro vivo a um ex-funcionário do clube. O caso levou à abertura de investigação pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
Documentos entregues pelo próprio clube mostram que o ex-chefe de segurança João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões entre março de 2018 e dezembro de 2023.
O período das transações abrange as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, o que ampliou a investigação sobre a origem e a destinação dos recursos.
Segundo o promotor Cássio Conserino, responsável pelo caso no MP-SP, a maior parte dos pagamentos foi feita sem apresentação de notas fiscais ou recibos que comprovassem o destino do dinheiro.
A análise inicial aponta que os repasses configuram movimentação atípica, uma vez que grandes quantias foram retiradas em espécie sem registro contábil detalhado.
Após a atualização dos valores pela inflação, o montante investigado pode ultrapassar R$ 7,3 milhões em cifras atuais.
Em entrevista ao Portal GE, João Odair de Souza afirmou que os recursos eram utilizados para contratar seguranças autônomos em partidas de futebol, eventos e manifestações de torcedores.
Segundo ele, muitos desses profissionais eram policiais que atuavam em horário de folga e, por esse motivo, não emitiam nota fiscal pelos serviços prestados.
Caveira também declarou que prestava contas regularmente ao departamento financeiro do clube e que nunca recebeu questionamentos do conselho fiscal da instituição.
As planilhas entregues ao MP-SP mostram saques com valores bastante variados.
Entre os registros analisados, há retiradas que chegaram a R$ 129,3 mil em outubro de 2023, além de valores muito menores, como um saque de R$ 529 em outra data.
Segundo informações divulgadas pelo portal Poder360, o ex-chefe de segurança já foi formalmente incluído como investigado no inquérito, embora ainda não tenha prestado depoimento aos promotores.
As apurações também identificaram repasses em espécie superiores a R$ 1,2 milhão a outro ex-colaborador do clube.
O beneficiário seria Denilson Grillo, ex-motorista do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, que teria recebido os valores ao longo de três anos.
Além disso, investigadores analisam a possibilidade de utilização de empresas de fachada para justificar despesas ou facilitar o uso irregular de recursos do Corinthians.
Até o momento, a atual diretoria do clube não se pronunciou oficialmente sobre o caso, enquanto o Ministério Público do Estado de São Paulo continua reunindo documentos e depoimentos que podem resultar em desdobramentos judiciais e responsabilizações civis ou penais.
Classificação Indicativa: Livre