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Publicado em 19/02/2026, às 06h41 Valter Gouveia Malu Machado
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) anunciou oficialmente, nesta quarta-feira (18), a abertura de uma investigação disciplinar para apurar mais um relato de racismo feito por Vinicius Junior.
O episódio ocorreu durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica, no Estádio da Luz, em Lisboa, pelos playoffs da Liga dos Campeões 2025/2026. Este é o 20º caso de discriminação denunciado pelo atacante em seus oito anos de clube.
O incidente aconteceu nesta terça (17), minutos após Vini Jr. marcar o gol da vitória. Segundo o brasileiro, o meio-campista do Benfica, Gianluca Prestianni, o insultou com ofensas racistas. O relato foi corroborado por Kylian Mbappé, que afirmou à TNT ter ouvido o argentino dirigir insultos ao brasileiro cinco vezes. Mbappé detalhou que Prestianni cobriu a boca com a camisa para evitar o flagrante das câmeras.
Ao ser informado, o árbitro François Letexier acionou o protocolo antirracismo da Fifa de 2024, cruzando os braços para sinalizar a denúncia. A partida foi interrompida por 10 minutos, com os jogadores deixando o campo. Após a paralisação, o jogo foi retomado e terminou com o placar de 1 a 0.
Prestianni negou as acusações, alegando que houve um mal-entendido. O Benfica saiu em defesa de seu atleta, afirmando que os jogadores do Real Madrid não teriam como ouvir o suposto insulto devido à distância e classificou a situação como uma "campanha de difamação".
O técnico do Benfica, José Mourinho, gerou polêmica ao relativizar o caso em entrevista à Amazon Prime, insinuando que a comemoração de Vini Jr. (uma dança na bandeirinha de escanteio) teria provocado a situação. "Quando você marca um gol como esse, você comemora de forma respeitosa", disse o treinador. Vini Jr. foi punido com cartão amarelo pela comemoração.
Um inspetor de Ética e Disciplina da Uefa já foi designado para o caso. Se culpado, Prestianni enfrenta uma suspensão mínima de 10 partidas em competições europeias, punição padrão adotada pela entidade para casos de racismo desde 2013.
A trajetória de Vini Jr. na Europa é marcada por uma persistente batalha judicial contra o racismo. Entre os marcos citados na denúncia estão:
Nas redes sociais, o brasileiro desabafou: "Racistas são, acima de tudo, covardes. Nada do que aconteceu hoje é novo na minha vida".
O presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, manifestou-se oficialmente sobre o ocorrido em Lisboa. Através de um comunicado, o dirigente máximo do futebol mundial demonstrou solidariedade a Vinicius Junior e cobrou punições severas.
Fiquei chocado e triste ao ver o incidente de alegado racismo contra Vinícius Júnior. Não há absolutamente nenhum espaço para racismo em nosso esporte e na sociedade. Precisamos que todas as partes interessadas relevantes tomem medidas e responsabilizem os culpados", declarou Infantino.
O presidente fez questão de elogiar a postura do árbitro François Letexier, que não hesitou em aplicar as novas diretrizes da entidade. "Parabenizo o árbitro por acionar o protocolo antirracismo, paralisando a partida ao sinalizar o gesto de X com os braços. Continuarei a reiterar: Não ao racismo!", completou a nota.
A Federação garantiu estar monitorando o caso junto à Uefa para assegurar que medidas apropriadas sejam tomadas para proteger jogadores e árbitros de qualquer forma de discriminação.