Esportes
Publicado em 29/04/2026, às 09h37 Reprodução/Internet Malu Machado
Nos últimos dois anos, o Rio Grande do Norte registrou a segunda maior taxa de crescimento em corridas de rua do país.
O dado acompanha uma tendência nacional de popularização do esporte e impulsiona um mercado diversificado em solo potiguar, que vai desde o aumento no número de eventos e assessorias esportivas até a expansão de equipamentos especializados e soluções tecnológicas.
Neste cenário, a tecnologia deixou de ser uma aliada exclusiva de atletas de elite. O aplicativo Strava, utilizado para registrar e compartilhar atividades físicas, monitorar ritmo e evolução, passou a integrar a rotina de 180 milhões de corredores ao redor do mundo, e em Natal não é diferente.
A jornada do publicitário e corredor amador Hellan Aureliano ilustra bem essa transformação. Ele começou a correr em 2015, por puro lazer. “Corria com amigos nos fins de semana, saindo da Praia do Meio até Areia Preta. Não sabíamos nada sobre distância ou ritmo, era apenas para fazer uma atividade”, relembra.
A virada de chave ocorreu em novembro de 2024, quando a prática ganhou constância. Com o apoio de uma assessoria de corrida e o uso do aplicativo, Hellan passou a ter um controle refinado de seu desempenho.
“Uso para registrar as atividades e acompanhar meus melhores tempos. Ver minha evolução ao longo do tempo influencia diretamente na minha disciplina”, destaca o corredor, que hoje ostenta marcas expressivas: 21min13s nos 5km e 46min48s nos 10km. Ele agora treina para sua primeira prova de 15km, marcada para maio deste ano.
Apesar da busca por melhores números, Hellan faz um alerta sobre a saúde mental no esporte: “Tenho clareza de que não sou profissional. Tenho cautela para que a corrida não deixe de ser um hobby e passe a ser um fardo”.
Para quem se sente motivado pelo movimento das ruas e quer estrear no asfalto, o planejamento é a palavra de ordem. Elmir Andrade, professor de Educação Física, explica que não existe um tempo mínimo padrão para se preparar para a primeira corrida de rua, pois cada organismo responde de uma forma.
É indispensável contar com a orientação de um profissional. Ele poderá avaliar a condição inicial, planejar o treinamento e acompanhar a evolução de maneira segura”, afirma o especialista.
Segundo Andrade, o iniciante deve focar em três pontos fundamentais:
"Sinais como fadiga crescente e lesões recorrentes indicam que algo está errado. Se o praticante se sente cada vez mais desgastado, falta descanso ou há excesso de estímulos", orienta o professor.
Com a combinação certa entre tecnologia, orientação profissional e respeito aos limites do corpo, o Rio Grande do Norte segue acelerando como um dos principais polos da corrida de rua no Brasil.