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Publicado em 19/01/2026, às 11h07 Reprodução/Redes Sociais Malu Machado
A empresária e influenciadora Yasmin Brunet utilizou as redes sociais para compartilhar o seu processo de emagrecimento de 15kg. Com uma silhueta visivelmente mais fina, a mudança estética levantou debates. No entanto, por trás do novo visual, existe uma questão de saúde que afeta milhões de mulheres: o lipedema.
A transformação de Yasmin não foi resultado apenas de dietas convencionais para emagrecimento, mas sim parte de um tratamento rigoroso para controlar a doença, diagnosticada pouco depois de sua saída do Big Brother Brasil 24.
Durante sua participação no programa, Yasmin relatou desconforto constante com o corpo. Na época, ela chegou a comentar que sentia suas pernas "pesadas", inchadas e com dores anormais, sintomas clássicos do lipedema, descritos por médicos como a "gordura dolorosa".
A exposição no reality e as críticas que recebeu sobre seu corpo serviram de alerta. Ao procurar ajuda médica especializada, a modelo descobriu que o volume em seus quadris e pernas não era "desleixo" ou apenas ganho de peso, mas uma inflamação crônica nas células de gordura.
Reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o lipedema é uma condição crônica e progressiva que envolve o acúmulo anormal de células de gordura. Abaixo, explicamos detalhadamente o que é a doença, seus sintomas e como tratá-la.
O lipedema é uma doença vascular crônica, de origem genética e hormonal, caracterizada pela deposição anormal de gordura em regiões específicas do corpo. Ela atinge quase exclusivamente mulheres e afeta principalmente as pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, os braços.
A principal característica visual do lipedema é a desproporção corporal. A paciente costuma ter a cintura fina e o tronco menor, enquanto os membros inferiores são volumosos. Um sinal clássico é que a gordura do lipedema geralmente não atinge os pés ou as mãos, criando um "efeito manguito" ou uma espécie de "pulseira" de gordura logo acima dos tornozelos ou punhos.
Diferente da obesidade comum, a gordura do lipedema é doente/inflamada e dificilmente é eliminada apenas com dieta hipocalórica e exercícios físicos tradicionais.
Embora o volume excessivo seja o sinal mais visível, o lipedema não é assintomático. A condição pode impactar significativamente a qualidade de vida. Os principais sintomas incluem:
A ciência aponta que o lipedema tem forte componente genético e hereditário. É comum que a paciente relatem que a mãe, avós ou tias tinham o "mesmo tipo de corpo" ou as "pernas grossas".
Além da genética, o gatilho para o desenvolvimento da doença é hormonal. Os sintomas costumam aparecer ou se agravar em momentos de grandes oscilações de estrogênio na vida da mulher, como:
O processo inflamatório sistêmico, muitas vezes ligado à alimentação rica em processados, também pode piorar o quadro.
Não existe um exame de sangue específico que detecte o lipedema. O diagnóstico é, acima de tudo, clínico.
Ele é feito no consultório por um médico especializado (geralmente cirurgião vascular ou endocrinologista), que avalia o histórico da paciente e realiza o exame físico, observando a desproporção corporal, a textura da gordura e a sensibilidade ao toque.
Exames de imagem, como ultrassonografia, ressonância magnética ou bioimpedância, podem ser solicitados para descartar outras doenças (como trombose ou problemas linfáticos puros) e para avaliar a extensão da gordura, mas a avaliação médica soberana é o principal método.
O lipedema não se manifesta da mesma forma em todas as pacientes. Para definir o melhor tratamento, a medicina classifica a doença de duas maneiras: pela localização da gordura (tipos) e pela gravidade da inflamação (estágios).
É importante não confundir Lipedema com Linfedema, embora elas possam coexistir no Estágio 4. Enquanto o lipedema é o acúmulo de células de gordura doentes, o linfedema é o acúmulo de líquido (linfa) causado por uma falha no sistema linfático. No entanto, no estágio avançado do lipedema, a gordura pode bloquear a circulação, gerando também o inchaço linfático.
Como é uma doença crônica, o lipedema não tem cura definitiva, mas tem controle. O tratamento visa aliviar a dor, reduzir a inflamação e melhorar a mobilidade. A abordagem é dividida em dois caminhos: conservador e cirúrgico.
Tratamento conservador (mudança de estilo de vida): é a base de tudo e envolve uma equipe multidisciplinar:
Tratamento cirúrgico: Quando o tratamento conservador não traz o alívio esperado ou a doença está em estágio avançado, pode ser indicada a lipoaspiração para lipedema. Diferente da lipoaspiração estética, essa cirurgia foca na retirada das células de gordura doentes com técnicas que protegem os vasos linfáticos para evitar danos à circulação
Qualquer suspeita da doença deve ser avaliada por um médico. A automedicação ou dietas extremas sem acompanhamento podem agravar o quadro.