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Publicado em 19/10/2026, às 08h40 Reprodução: Internet Redação
O influenciador Felca voltou a despertar a curiosidade dos seguidores neste domingo (18), após meses sem publicar conteúdos em seus perfis nas redes sociais.
Conhecido nacionalmente pela denúncia sobre a adultização de crianças e adolescentes na internet, ele divulgou uma mensagem enigmática no Instagram e indicou que uma novidade poderá ser apresentada à meia-noite de terça-feira (20).
A publicação foi feita sobre um fundo preto, com a frase “eu me escondi por tempo demais”.
A mensagem encerra um período de aproximadamente sete meses sem atualizações regulares nas plataformas e reacende a expectativa do público sobre os próximos passos do criador de conteúdo, que ganhou projeção nacional ao expor casos de exploração da imagem de menores na internet.
Últimas publicações foram feitas em março
Antes da mensagem divulgada neste domingo, Felca não atualizava o Instagram desde março, quando anunciou sua participação no quadro Sobre Nós, exibido pelo Fantástico, da TV Globo. A produção teve seis episódios, apresentados até abril.
O afastamento também foi percebido em outras plataformas. Tanto no X, antigo Twitter, quanto no YouTube, as últimas publicações do influenciador haviam sido feitas em março. Na ocasião, ele comentou o decreto de regulamentação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, conhecido como ECA Digital.
A legislação ganhou força no debate público após a repercussão do vídeo em que Felca denunciou práticas de exposição e sexualização de crianças e adolescentes nas redes sociais. O conteúdo provocou discussões sobre a responsabilidade das plataformas digitais, a proteção da infância e os limites da monetização de publicações envolvendo menores.
O que muda com o ECA Digital
Entre as medidas previstas na regulamentação estão restrições à monetização de conteúdos que envolvam exploração e abuso sexual, pornografia, violência física e representações erotizadas ou sexualmente sugestivas de crianças e adolescentes.
Outro ponto importante diz respeito aos chamados influenciadores mirins. A regulamentação prevê exigências relacionadas à autorização judicial para que responsáveis possam obter rendimentos com conteúdos produzidos por crianças e adolescentes, conforme as condições estabelecidas na legislação.
Ao comentar o avanço da medida, Felca celebrou o resultado da mobilização em torno da proteção de menores na internet.
Eu fico verdadeiramente feliz pela nossa luta e pelo fato de a gente ter conseguido gerar algo assim. Agora é uma lei. Lei é uma coisa que vem de um lugar positivo, de um apelo da sociedade”, afirmou o influenciador na ocasião.
Vídeo sobre adultização ampliou debate nacional
A repercussão que transformou Felca em uma das principais vozes do debate sobre a exposição infantil na internet começou em agosto de 2025, quando ele publicou no YouTube o vídeo intitulado Adultização.
Na época, o canal do influenciador reunia mais de 4 milhões de inscritos. Atualmente, a página ultrapassa a marca de 6 milhões, refletindo o crescimento de sua audiência após a divulgação das denúncias.
Com cerca de 50 minutos de duração, o material reuniu exemplos de conteúdos publicados por influenciadores, explicou como os mecanismos de recomendação das plataformas podem direcionar determinadas publicações a públicos inadequados e apresentou a avaliação de uma psicóloga sobre os riscos da exposição de crianças e adolescentes.
Entre os casos citados estava o de Hytalo Santos, que ficou conhecido nas redes sociais por exibir uma rotina de luxo e compartilhar vídeos ao lado de crianças e jovens que chamava de “filhos”. Uma das adolescentes frequentemente mostradas nas publicações era Kamylinha Santos, atualmente com 17 anos, cuja exposição pelo influenciador teria começado quando ela tinha 12.
Caso Hytalo Santos teve investigação e condenação
As denúncias envolvendo Hytalo Santos já eram alvo de investigação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) desde 2024. Depois da publicação do vídeo de Felca, a repercussão aumentou e a conta do influenciador foi desativada no Instagram.
Em fevereiro, Hytalo Santos e seu companheiro, Israel Vicente, foram condenados por exploração de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes.
O caso também teve desdobramentos relacionados a uma possível saída do Brasil. Segundo a Polícia Civil da Paraíba, o casal teria planejado deixar o país após alugar uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em 15 de agosto de 2025. Os dois foram presos durante as investigações.
A denúncia de Felca, portanto, ultrapassou o ambiente das redes sociais e passou a integrar uma discussão mais ampla sobre responsabilização, segurança digital e proteção de crianças e adolescentes.
Expectativa por novo conteúdo
A mensagem publicada neste domingo não detalha o formato nem o assunto da novidade anunciada para terça-feira (20). A frase escolhida, no entanto, sugere uma manifestação pública após o longo período sem atualizações.
A expectativa agora é saber se Felca voltará a produzir vídeos regularmente ou se apresentará um projeto específico.
Até que o conteúdo seja divulgado, não há confirmação sobre o que motivou a publicação nem sobre os planos do influenciador para essa nova fase.
Mais sobre a Lei Felca
Após denúncias do youtuber Felipe Bressanim, conhecido como Felca, sobre a superexposição de menores nas redes sociais, o governo sancionou em setembro a Lei nº 15.211/2025, apelidada de “Lei Felca”, criando o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, ou ECA Digital.
A norma estabelece novas regras para empresas de tecnologia, que agora devem garantir configurações de alta proteção de dados, ferramentas de supervisão parental e mecanismos de combate a conteúdos nocivos, como assédio, pornografia e exploração sexual.
A legislação passa a valer em março de 2026 e representa um avanço significativo na proteção da dignidade de crianças e adolescentes na internet.
Com o ECA Digital, o Brasil se torna um dos primeiros países da América Latina a adotar um estatuto específico para defesa da infância em ambientes digitais, fortalecendo o combate à adultização e à exposição precoce de menores nas redes.
Inovações da legislação
Entre as principais inovações da legislação estão a obrigatoriedade de verificação confiável de idade, a criação de ferramentas de controle parental e a exigência de vínculo com responsável legal em contas de usuários com menos de 16 anos.
Também passa a ser responsabilidade das plataformas remover rapidamente conteúdos nocivos, como exploração sexual, bullying e discursos de ódio.
A lei proíbe ainda a publicidade direcionada baseada em perfilamento comportamental e impõe restrições a jogos eletrônicos que contenham práticas de monetização agressivas, como as “caixas de recompensa” (loot boxes), quando voltados a menores de idade.
Essas medidas, segundo especialistas, podem redefinir o modo como empresas de tecnologia operam no Brasil, especialmente no que se refere à coleta e ao uso de dados de menores.