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Entretenimento

“Mariposa” coloca o RN entre os destaques do Festival de Brasília

O curta “Mariposa”, dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor, é o único representante do RN na Mostra Competitiva Nacional do festival  |  Foto: Reprodução/Assessoria

Publicado em 19/08/2026, às 18h46   Foto: Reprodução/Assessoria   Giovana Gurgel

O cinema potiguar ganhou espaço na principal disputa do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com a seleção de “Mariposa”, curta-metragem dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor e protagonizado por Mãe Bianca de Omolú. Único representante do RN na Mostra Competitiva Nacional, o filme concorre com outros 12 curtas brasileiros e terá sua estreia no sábado, 12 de setembro, às 21h, no Cine Brasília.

A produção foi escolhida em meio a cerca de 2 mil obras inscritas, entre curtas e longas-metragens, número considerado inédito na história do festival. A programação deste ano reúne mais de 70 filmes brasileiros, além de três mostras competitivas e sessões especiais, com R$ 298 mil destinados à premiação.

Realizado entre 11 e 19 de setembro, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ocupa o Cine Brasília e outros espaços culturais da capital federal. Depois da estreia, “Mariposa” terá uma nova sessão na manhã de 13 de setembro, seguida de debate com integrantes da equipe do filme.

Memória, território e ancestralidade

Com 14 minutos de duração e filmado em preto e branco na praia de Santa Rita, em Extremoz, no RN, “Mariposa” combina memória, rito, natureza e território. A narrativa acompanha Dona Zefa, interpretada por Mãe Bianca de Omolú, e Oliveira, vivido por Alexandre Américo, em um espaço marcado por disputas e pelo desejo de permanência.

A obra nasceu do encontro entre Américo e Pedro Vitor e da aproximação deste último com as encantarias, as caboclagens, a Jurema Sagrada e as religiosidades de terreiro do Candomblé. Itãs, contos e narrativas transmitidos em rodas, xirês e rituais também serviram como referências para a construção da história.

As memórias de infância de Pedro Vitor, que cresceu entre as praias de Santa Rita e as dunas de Genipabu, também integram a construção do filme. A partir dessas experiências, os diretores criaram personagens encantados ligados ao território potiguar, em uma narrativa que busca aproximar ancestralidade e imaginação.

Projeção nacional

Segundo os diretores, “Mariposa” pode ser definido como um filme afrofabulado, construído a partir de uma narrativa que busca dar materialidade às existências dos encantados e às histórias vinculadas ao território de Santa Rita. A produção foi realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo.

Alexandre Américo, que divide roteiro e direção com Pedro Vitor, também integra o elenco. Artista caiçara e neurodivergente, ele trabalha ao lado de Pedro, artista potiguar multimídia e pessoa com deficiência, bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Audiovisual, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Para Américo, a seleção para o festival representa o resultado de um processo coletivo construído por uma equipe majoritariamente racializada e formada por pessoas de gênero dissidente. Segundo ele, a participação no evento abre espaço para o grupo dialogar com profissionais e realizadores de diferentes regiões do país.

“Mariposa” é o terceiro curta produzido pela Torta Plataforma, iniciativa que atua de maneira independente em diferentes linguagens da arte contemporânea, com foco na produção DEF. Antes dele, o grupo lançou “Praia das Artistas”, dirigido por Rosy Nascimento em 2025, e “Bípede”, dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor também em 2025.

O novo filme também integra o Trabalho de Conclusão de Curso de Pedro Vitor em Comunicação Social, com habilitação em Audiovisual, pela UFRN. A distribuição é realizada pela Ebó Filmes, de Rosy Nascimento.

Classificação Indicativa: Livre


TagsAlexandre américoCine brasíliaMariposa