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Publicado em 01/10/2026, às 09h41 Internet Redação
A memória de uma das personagens mais conhecidas da história boêmia de Natal será revisitada sob uma nova perspectiva. O espetáculo “O Retorno de Maria Boa” chega ao Teatro Alberto Maranhão (TAM), no dia 13 de outubro, às 19h, propondo uma releitura da trajetória de Maria Oliveira Barros, conhecida como Maria Boa, a partir do corpo, da feminilidade e de diferentes linguagens artísticas.
Criada pelo Pole Estúdio – Educação, Corpo e Arte, a montagem utiliza o pole dance como eixo central, mas incorpora dança, teatro, música, poesia, burlesco e performance.
A proposta é deslocar a personagem do imaginário construído ao longo das décadas e colocá-la em diálogo com questões contemporâneas como liberdade, desejo, autonomia, coragem e identidade feminina.
Maria Boa ganha uma nova leitura
A história de Maria Boa está diretamente relacionada a um dos períodos mais marcantes da história de Natal. Durante a Segunda Guerra Mundial, a capital potiguar ganhou importância estratégica e passou por profundas mudanças sociais e culturais com a presença de militares brasileiros e norte-americanos.
É nesse contexto que a trajetória de Maria Boa se tornou conhecida. Sua história, cercada por relatos e pelo imaginário popular, agora serve de ponto de partida para uma criação artística que busca olhar para a personagem não apenas pelo lugar que ocupou na vida noturna da cidade, mas também pela perspectiva do feminino.
No espetáculo, o universo do cabaré aparece como referência histórica, estética e poética, enquanto as artistas exploram diferentes dimensões do corpo em cena.
Oficinas prepararam o caminho para o espetáculo
Antes da apresentação no TAM, o projeto promoveu, durante setembro, uma série de oficinas no Pole Estúdio. As atividades trabalharam o corpo em movimento a partir de diferentes possibilidades, aproximando esporte, dança, performance e criação coreográfica.
A programação funcionou como uma etapa de experimentação para as participantes e ampliou o repertório utilizado na construção da montagem. O processo também reforçou a proposta de utilizar o pole dance como linguagem artística capaz de dialogar com outras expressões cênicas.
Maria Boa também chega às telas
A personagem também será levada ao audiovisual. Desenvolvido em parceria com a equipe do Nav No Ar, o curta-metragem dedicado a Maria Boa e à feminilidade será lançado no mesmo dia do espetáculo, durante o evento no Teatro Alberto Maranhão.
A produção amplia a experiência para além do palco e cria uma segunda possibilidade de encontro com a personagem, relacionando memória, imagem, corpo e experiência feminina.
Para Olívia Macedo, criadora do Pole Estúdio e responsável pelo desenvolvimento do espetáculo, a combinação entre audiovisual e dança é parte fundamental da proposta.
O audiovisual e a dança se completam nesse projeto, um tem o poder de guardar a memória, o outro de devolver o corpo. Buscamos unir a imagem e o movimento, o projeto foi capaz de transformar uma memória em presença viva, todas estamos sentindo e vivendo a força de Maria.”
Segundo Olívia, a montagem também procura estabelecer uma relação coletiva entre a trajetória da personagem e as experiências de outras mulheres.
“Por isso, o retorno de Maria Boa é um retorno coletivo de todas as mulheres que nunca deixaram de existir. Está imperdível.”
Corpo, memória e liberdade
No palco, as alunas do Pole Estúdio assumem a construção dessa narrativa por meio do movimento. Força, sensualidade, vulnerabilidade e expressão corporal são utilizadas para criar uma representação que não pretende apenas reproduzir histórias sobre Maria Boa, mas reinterpretá-las a partir do presente.
A montagem também contribui para apresentar o pole dance para além de sua dimensão esportiva, explorando sua utilização como ferramenta de expressão e narrativa artística.
Pole Estúdio desenvolve arte e movimento
Fundado em 2022 pela artista e professora Olívia Macedo, o Pole Estúdio – Educação, Corpo e Arte funciona em Capim Macio, em Natal.
O espaço desenvolve atividades ligadas ao pole dance, à educação artística e esportiva, com projetos voltados à criação, expressão corporal, autoconhecimento e criatividade.
“O Retorno de Maria Boa” conta com apoio de Sebrae, Gaia Pole, Clara Colore e Leti_ink.
Serviço
O Retorno de Maria Boa
Data: 13 de outubro
Horário: 19h
Local: Teatro Alberto Maranhão (TAM), Natal
Atração: espetáculo de pole dance, teatro, dança, música, poesia, burlesco e performance
Lançamento: curta-metragem sobre Maria Boa e a feminilidade
Ingressos: disponíveis pela plataforma Sympla.
Quem foi Maria Boa, personagem que marcou a história de Natal
Poucas personagens estão tão ligadas à memória boêmia e à história social de Natal quanto Maria Boa. Nascida Maria Oliveira Barros, em Remígio, na Paraíba, em 1920, ela se tornou uma das figuras mais conhecidas da capital potiguar a partir da década de 1940, quando a cidade passou por profundas transformações provocadas pela Segunda Guerra Mundial.
Foi nesse período que Maria Boa chegou a Natal e criou, na Rua Padre Pinto, antiga Rua do Fogo, na Cidade Alta, um cabaré que ganhou fama por receber militares, políticos, empresários e personalidades da sociedade natalense.
Um cabaré diferente de tudo
O estabelecimento ficou conhecido pelo padrão de organização e pela exigência de Maria Boa com as funcionárias, chamadas de “meninas de Maria”. Higiene, elegância, perfumes, roupas bem cuidadas e comportamento eram alguns dos critérios valorizados pela empresária.
O espaço também se tornou ponto de encontro durante um período em que Natal recebeu milhares de militares norte-americanos em razão da posição estratégica da cidade no conflito mundial.
O nome que virou lenda
A fama de Maria Boa ultrapassou as portas do cabaré e entrou para o imaginário popular natalense.
Uma das histórias mais conhecidas conta que militares brasileiros chegaram a batizar um avião de carga militar com o nome “Maria Boa”, registrando a homenagem na fuselagem da aeronave.
Ao longo das décadas, ela construiu uma reputação que extrapolou a atividade empresarial e passou a fazer parte da própria história cultural e boêmia de Natal.
Últimos anos de Maria Boa
Maria Boa manteve o negócio durante décadas, acompanhando as mudanças na vida noturna da cidade e o gradual declínio do estabelecimento a partir das décadas de 1970 e 1980.
Ela morreu em julho de 1997, aos 77 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Mesmo décadas depois, seu nome permanece associado à memória da Natal da Segunda Guerra Mundial e às transformações sociais vividas pela capital potiguar naquele período.