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Publicado em 06/09/2026, às 15h54 Foto: STF Ranyere Fonseca
A ministra Cármen Lúcia assumiu papel de fiel da balança no Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à mais grave crise institucional já registrada na história recente da corte. Reservadamente, a magistrada avalia que tanto Alexandre de Moraes quanto André Mendonça cometeram equívocos processuais e regimentais expressivos nas decisões que culminaram em um confronto aberto entre alas do tribunal, mantendo sua posição sob absoluto sigilo antes das deliberações do plenário.
A disputa interna divide o colegiado em dois blocos de forças equivalentes, transformando o posicionamento da ministra no voto que definirá o desfecho das contendas. De um lado, os magistrados julgarão se Mendonça incorreu em arbitrariedade e usurpação ao determinar que a Polícia Federal produzisse relatório que expôs Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas apurações sobre o Banco Master e o INSS. Do outro, o tribunal analisará a legalidade do contra-ataque de Moraes, que acionou o inquérito das fake news para requerer a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade.
A interlocutores diretos em Brasília, Cármen Lúcia externou profunda perplexidade diante do nível de erosão e conflito interno entre os gabinetes. Embora tenha telefonado para Moraes prestando solidariedade humana diante da ampla exposição pública de sua imagem após a retirada de sigilo das mensagens, a ministra desaprovou formalmente o uso do inquérito das fake news como instrumento de reação processual contra outro membro da própria corte, reiterando que seu voto será balizado estritamente nos autos constitucionais.
O plenário do Supremo desenha um cenário de empate técnico nas deliberações sobre o caso Master, ampliando o peso de cada manifestação:
Ala pró-Moraes: conta com os votos articulados dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que enxergam quebra de regras regimentais na devassa policial sobre um colega;
Ala pró-Mendonça: aglutina o apoio dos ministros Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Edson Fachin, que sustentam a necessidade de apuração ampla perante indícios documentados;
Impedimento formal: o ministro Dias Toffoli não participa do julgamento por ter declarado suspeição prévia para atuar em litígios relacionados à instituição bancária investigada.
Diante do xadrez com quatro votos inclinados para cada linha de entendimento, os dois lados atuam nos bastidores para convencer a magistrada a chancelar suas respectivas teses jurídicas.
Os assessores e aliados dos dois magistrados constroem narrativas apoiadas no histórico de atuação da própria ministra:
Tese do grupo de Mendonça: Defende que a reputação de retidão e rigor moral de Cármen Lúcia não permitirá que o Supremo passe à sociedade o sinal de blindagem corporativa diante de contatos mantidos entre magistrados e alvos de investigações financeiras;
Tese do grupo de Moraes: Sustenta a coerência de votos históricos da ministra contra abusos de rito e juízos de exceção, comparando a ação de Mendonça à parcialidade processual já rechaçada por ela em julgamentos da finada Operação Lava Jato; alertam ainda que validar a medida abriria brecha para ministros investigarem colegas indistintamente, transformando o tribunal em arena de disputas políticas;
Independência temática: A trajetória recente da ministra exemplifica sua autonomia: é relatora da proposta de criação do novo Código de Conduta do STF — bandeira dividida com Mendonça —, mas votou integralmente ao lado de Moraes nas ações penais envolvendo a tentativa de golpe de Estado.
Interlocutores próximos a Cármen Lúcia ressaltam que seu principal temor não reside na vitória pontual de uma das teses, mas no dano institucional irreversível que o prolongamento da crise pode causar à credibilidade da Justiça brasileira perante a sociedade civil.