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Publicado em 07/05/2026, às 17h29 Reprodução: Freepik Jussier Lucas
A rede de cinemas Cinemark entrou no centro de uma polêmica após a exibição repetida da animação brasileira Zuzubalândia – O Filme para cumprir a chamada Cota de Tela, mecanismo que obriga as exibidoras a reservarem parte da programação para produções nacionais.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o filme chegou a ser exibido 114 vezes em um único dia no estado de São Paulo, principalmente em horários da manhã e início da tarde. Em muitos casos, as sessões ocorreram com salas vazias ou com baixíssimo público.
A prática chamou atenção por utilizar uma brecha na regulamentação da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Como a animação tem cerca de uma hora de duração, a rede consegue encaixar mais sessões ao longo do dia, aumentando rapidamente o percentual exigido de exibições nacionais sem comprometer os horários nobres destinados a blockbusters internacionais.
De acordo com o levantamento publicado pela Folha, a Cinemark realizou mais de 17 mil sessões de Zuzubalândia – O Filme neste ano. Apesar do alto número de exibições, o longa teria registrado média de apenas 0,1 espectador por sessão.
Funcionários de unidades da rede relataram ao jornal que havia orientação interna para concentrar as exibições da animação em horários de pouco movimento, especialmente entre 11h e 14h.
A estratégia permitiria cumprir a meta anual da Cota de Tela sem reduzir espaço para filmes estrangeiros com maior potencial de bilheteria.
Após a repercussão do caso, a Cinemark reduziu em cerca de 65% o número de sessões da animação em São Paulo. Ao mesmo tempo, outros filmes brasileiros ganharam mais espaço na programação da rede.
A empresa afirmou que as exibições estavam relacionadas ao Projeto Escola, modelo que permite o agendamento de sessões para estudantes. No entanto, a reportagem informou não ter encontrado salas ocupadas por grupos escolares durante as visitas realizadas.
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Apesar da repercussão, a Ancine informou que a prática não descumpre a legislação atual. A regra determina apenas um percentual mínimo de sessões nacionais, sem limitar quantidade de repetições ou estabelecer exigência sobre horários específicos.
Mesmo sem prever punições, a agência informou que discute mecanismos para estimular que filmes brasileiros também ocupem faixas consideradas nobres, especialmente após as 17h.
A polêmica reacendeu o debate sobre a eficácia da Cota de Tela e sobre o espaço destinado ao cinema nacional nas grandes redes exibidoras.
Especialistas do setor avaliam que, embora a medida ajude a manter produções brasileiras em cartaz, práticas como essa acabam esvaziando o objetivo principal da política pública, que é ampliar o acesso do público às obras nacionais.