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Publicado em 29/05/2026, às 08h37 Reprodução internet Redação
A criação da primeira Universidade Federal Indígena do Brasil já é realidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (28) a lei que institui a Universidade Federal Indígena (Unind), uma instituição inédita no país voltada à formação superior de povos indígenas e à valorização dos conhecimentos tradicionais.
A proposta foi apresentada pelo próprio governo federal e teve sua tramitação concluída no Congresso Nacional no início deste mês.
A expectativa é que as atividades acadêmicas comecem em 2027, com uma estrutura voltada para ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural.
Instituição deve atender quase 3 mil estudantes
Segundo o projeto, a universidade iniciará suas atividades oferecendo dez cursos de graduação em áreas consideradas estratégicas para as comunidades indígenas.
Entre os cursos previstos estão formações ligadas à educação, saúde coletiva, saúde indígena, gestão territorial e gestão ambiental. A meta é alcançar cerca de 2,8 mil estudantes ao longo dos primeiros quatro anos de funcionamento.
Durante a cerimônia de sanção da lei, realizada no Palácio do Planalto, o presidente Lula destacou a importância do acesso à educação superior como instrumento de inclusão e cidadania.
O diploma é a garantia de que esse país está preparando a sua sociedade para ser tratada como cidadã de primeira linha. Todo mundo tem direito ao conhecimento, e esse conhecimento vai permitir que as pessoas façam coisas que antes não sabiam”, afirmou.
O presidente também ressaltou que a iniciativa representa um avanço na garantia de direitos para diferentes grupos sociais.
Reivindicação histórica dos povos indígenas
A criação de uma universidade federal específica para os povos indígenas é resultado de uma demanda construída ao longo de anos por lideranças e organizações indígenas de todo o país.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou a sanção como a concretização de um sonho coletivo.
“Será o local propício para a produção de conhecimento, que irá resultar na defesa dos direitos indígenas, no constante aperfeiçoamento da política pública para os povos indígenas e na consolidação da autoridade epistemológica indígena”, declarou.
O processo de construção da proposta contou com ampla participação de representantes indígenas, especialistas, professores e estudantes.
De acordo com o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, o projeto foi debatido em mais de 20 seminários regionais realizados nas cinco regiões brasileiras.
Brasília será a sede inicial da universidade
A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), que já ocupou o cargo de ministra dos Povos Indígenas, informou que a sede da nova instituição ficará em Brasília.
A previsão é que, futuramente, a universidade amplie sua atuação com a implantação de novos campi em diferentes regiões do território nacional.
Segundo a parlamentar, a proposta educacional da Unind busca integrar a formação acadêmica aos conhecimentos tradicionais dos povos originários.
“Ela oferecerá ensino superior, pesquisa e extensão sob uma perspectiva cultural, valorizando saberes tradicionais, línguas ancestrais e práticas que colocam a relação entre o ser humano e a natureza no centro do saber”, afirmou.
Valorização dos conhecimentos tradicionais
Para representantes indígenas envolvidos na construção do projeto, a universidade surge como um espaço de fortalecimento cultural e científico.
Rita Potiguara, representante do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, destacou que os povos indígenas possuem formas próprias de produção de conhecimento que precisam ser reconhecidas institucionalmente.
Nós, povos indígenas, possuímos ciências, filosofias, sistemas linguísticos, tecnologias, sistemas agrícolas, conhecimento ambientais, formas próprias de ensinar e de compreender o mundo”, ressaltou.
Ela acrescentou que a Universidade Federal Indígena permitirá o diálogo entre os saberes ancestrais e as diferentes áreas do conhecimento contemporâneo.
“[Será] um espaço onde as línguas indígenas terão força, presença e reconhecimento institucional”, concluiu.